sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Confraria da Bazófia


Confraria da Bazófia, banda formada em 1993, gravou três CDs, sendo dois autorais e um em homenagem ao compositor Gordurinha, lançado pela Warner.

Apresentando um repertório predominantemente autoral, de quatro cantores/compositores que não têm submetido suas criações à massificação proposta pela indústria fonográfica, a Confraria da Bazófia sugere, como proposta estética, a integração de linguagens sonoras contemporâneas e poesia, com letras instigantes, muitas vezes retratando o cotidiano de desigualdade social do brasileiro, às vezes fazendo uso da interpretação jocosa e/ou da performance.

A banda já gravou "Capte o Toque", um CD viabilizado pelo Prêmio Copene de Cultura & Arte e considerado pelo Jornal A TARDE como um dos cinco melhores do ano de 98.





ComScore
No ano seguinte, o grupo foi convidado para compor o elenco do disco A Confraria do Gordurinha, em conjunto com Gilberto Gil e Marta Millani, lançado pela Warner Campbell. Vários intérpretes relêem sucessos de Gordurinha, um dos maiores compositores do forró, com direito a Baianada, Chiclete Com Banana, O Vendedor de Biscoito, Súplica Cearense, Praça do Ferreira e Trem da Central.

Faixas

1 Baianada
(Carlos Diniz, Gordurinha)
2 Pot-pourri:
Chiclete com banana (Gordurinha-Almira Castilho)
Vendedor de caranguejo (Gordurinha)
3 É um calo só
(Gordurinha)
4 Oróra analfabeta
(Nascimento Gomes, Gordurinha)
5 Praça do Ferreira
(Nelinho, Gordurinha)
6 Pedido a Padre Cícero
(Gordurinha)
7 Súplica cearense
(Nelinho, Gordurinha)
8 Poema dos cabelos brancos
(Gordurinha)
9 O problema é seu
(Gordurinha)
10 Meu amigo Oliveira
(Gordurinha)
11 Trem da central
(Mary Monteiro, Gordurinha)
12 O vendedor de biscoito
(Nelinho, Gordurinha)
13 Caixa alta em Paris
(Gordurinha)
14 Pot-pourri :
Baiano não é palhaço (Gordurinha)
Baiano burro nasce morto (Gordurinha)


Dentre outras coletâneas, eles estão nos trabalhos Grão e Bahia com Todas as Letras, lançados pelo Selo Sons da Bahia, além da participação em shows de Tom Zé, Capinam e Vânia Abreu.

CURIOSIDADES

Arnaldo Almeida, cantor e compositor baiano, iniciou a carreira artística participando de festivais Anos depois, criou a Confraria da Bazófia, juntamente com Jarbas Bittencourt, Tito Bahiense, Ray Gouveia, Jorge Sacramento, Gerson Silva, Leonardo Reis, Humberto Valle, Marcos Amorim e Angelo Rafael.

Quem conhece o repertório da Confraria percebe que suas composições propõem um olhar crítico sobre o contexto político e social em canções como Pelô Pelô e A Moda, selecionadas nos festivais Canta Nordeste e Nova Música Brasileira, da TV Cultura.


Arnaldo já teve composições gravadas pelas intérpretes Clécia Queiroz, Marilda Santana, Márcia Castro e Mônica Albuquerque além da Banda Metáfora.


O compositor retornou ao palcos, em 2010, com a temporada “De 2 em 2 – Para Intérpretes e Afins” realizada no Teatro Gamboa, quando convidou Jarbas Bittencourt, Manuela Rodrigues, Deco Simões e Carlinhos Cor das Águas para, a cada semana, partilharem com o público seus fazeres e pensares musicais.


Este projeto tem continuidade prevista para 2011, de março a dezembro, com uma apresentação mensal, no Espaço Xisto-Salvador.

Atualmente é um dos integrantes do Encontro de Compositores, evento mensal que acontece no Cabaré dos Novos (Teatro Vila Velha) em Salvador, tendo como parceiros os também cantores compositores Jarbas Bittencourt, Manuela Rodrigues, Deco Simões, Pietro, Thiago Kalu, Sandra Simões, Carlinhos Cor da Águas, Dão e Roney Jorge, além de convidados especiais.


FONTE

http://clubecaiubi.ning.com/

http://clubecaiubi.ning.com/profile/ArnaldoAlmeida#ixzz1ZTeDkHzh

cliquemusic

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Tiago Abravanel


O ano de 2010 foi especial para Tiago Abravanel, o ator, cantor e produtor abriu sua própria empresa, Abrava Produções Artísticas, em sociedade com Cintia Abravanel, administradora do Teatro Imprensa, sua mãe. Com a intenção de levar cultura e entretenimento para as pessoas, o primeiro grande projeto foram duas oficinas de teatro, idealizadas por Tiago Abravanel e Rafael Villar, que culminaram em duas montagens apresentadas gratuitamente no Teatro Imprensa: Avoar e Broadway no Divã.


Tiago Abravanel, de 23 anos, viveu o papel título de "Tim Maia — Vale tudo, o musical", que estreiou sexta-feira, no Teatro Carlos Gomes. O timbre de voz e os quase 120kg o ajudaram a vencer outros quinze candidatos na seleção comandada por Nelson Motta, autor da peça, e João Fonseca, o diretor.

Tim cantava com muita alma. Tento colocar o mesmo em tudo o que faço. O fato de eu ser gordo pode me favorecer para fazer determinados personagens — diz ele, que muito antes de ser selecionado soltava a voz em "Azul da cor do mar", sucesso de Tim, em festas de amigos: — A letra é de uma profundidade, fala para o mundo das coisas em que você acredita.


Para cantar 25 hits de Tim e contar em duas horas e meia seus 55 anos de vida, Tiago saiu de "Amor e revolução", do SBT, em que vivia o guerrilheiro Davi. Precisou adotar uma peruca, muita maquiagem e deixou o bigode crescer.



 

sábado, 24 de setembro de 2011

Diário da Música ♪♫: César Camargo Mariano


Diário da Música ♪♫: César Camargo Mariano: Um dos mais renomados músicos do País, o pianista, compositor, arranjador e produtor Cesar Camargo Mariano tem sua história retratada em livro de memórias pela editora LeYa Brasil. “Solo” chega às livrarias este mês com histórias marcantes dos 50 anos de carreira, dificuldades e conquistas de sua trajetória musical e a importância da dedicação do artista à sua arte.


Permeado de histórias divertidas e dramáticas, de quem viveu e acompanhou intensamente cada momento da música brasileira desde o início da Bossa Nova, “Solo” mostra passagens que marcaram sua vida desde a infância, com amigos, família e ao lado de profissionais e artistas com quem fez história.

Solo” não resgata somente histórias de um dos mais importantes músicos do País, mas também momentos da trajetória da MPB e a paixão e o drama dos bastidores da arte. E pela primeira vez revela outro dom artístico do músico, que ilustrou suas memórias com desenhos feitos a lápis. Uma obra para os apaixonados por música.


"O piano sempre esteve ali na sala, desafiador, misterioso, de dar arrepios. Quando o inquilino caladão Johnny Alf chegou para tocá-lo, as paredes tremeram. Wilson Simonal e Elis Regina, mais tarde, deitaram e dançaram sobre seus timbres. Aos 50 anos de carreira, vivendo nos Estados Unidos com a família, Cesar Camargo Mariano tem cem histórias para cada tecla de seu instrumento. Memórias que lança agora no livro Solo, com três shows no Sesc Vila Mariana e uma exposição de desenhos, tudo interligado. As músicas e as ilustrações foram criadas enquanto ele revivia um passado que, pela primeira vez, decide contar de próprio punho." (continue lendo aqui)

Cesar Camargo Mariano segue a sua agenda de shows “Memórias” e “Piano Solo” por São Paulo, neste mês.


FONTE


Marcela Ferreira


Marcela Ferreira, cantora e compositora, nascida em Americana/SP em 04/07/1997. Criada em Santa Barbara d’Oeste, desde 8 anos de idade Marcela já se dedicava à música com aulas de canto, inglês, violão, teclado e outros instrumentos, tendo como ídolos os cantores: Daniel e Roberto Carlos.


Marcela vem se apresentando em festas e casas de espetáculos de sua cidade e toda região, divulgando seu trabalho em programas de rádio e televisão.

Seu segundo CD, produzido nos estúdios Avalon(SP) por Fátima Leão, traz composições da própria Fátima e de outros compositores...




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Martha Mendonça


A cantora Martha Mendonça (Uberaba, 16 de fevereiro de 1940) surgiu nos anos 60 com a canção Tu Sabes, que vendeu muito e ganhou os principais prêmios da época. Gravou vários discos, alcançando um total de 110 musicas entre LPS, compactos e edições especiais.

O bolero "Tu sabes" foi gravado em 1961 pela Chantecler no 78 rpm que trazia no lado B a guarânia "Voltei meu amor", de Alberto Roy e Tony Freddy.


Em 1964, Marta fez sucesso com a música "Saudade de você", versão de Teixeira Filho para "Kimi Koishi", sucesso no Japão de Frank Nagai. A canção, composta por Hidenori Sakae, foi carro-chefe do terceiro LP da cantora, intitulado "Kimi Koishi", e no qual aparece na capa vestida com kimono. É uma das poucas canções de origem japonesa que obteve sucesso no Brasil, ao lado de "Olhando para o céu" (Sukiyaki), gravada pelo Trio Esperança, "Kokoro no Niji", interpretada pelo grupo Os Incríveis, e "Sayonara", também registrada pelo conjunto e pela cantora e apresentadora Rosa Miyake, todas nos anos 1960.


Em 1965 conheceu o cantor Altemar Dutra e casou-se com ele. Tem dois filhos: Deusa Dutra e Altemar Dutra Júnior.

Em mais de 25 anos de carreira gravou oito discos em 78 rpm e mais seis LPs, sem contar os compactos simples e duplos. O último registro em LP aconteceu em 1987, pela 3M, em disco produzido pelo cantor e compositor Terry Winter (08/05/47 - 23/09/98).


Nesse álbum, gravou composições de autores que na época começavam a se destacar no universo sertanejo, como foram os casos de "Vou buscar você", de Antônio Luis e Elias Muniz, "Dois estranhos", de Joel Marques, "Caminhos", de César Augusto e Antônio Hernandes, "Caminhos da paixão", de Elias Muniz e Antônio Luis, "Esse cara", de Carlos Randall, "Minha maneira de ser", versões de Neil Bernardes para composições de Terry Winter, e "Cantando a esperança", de Eunice Barbosa, Antônio Luis e Billy. Gravou, ainda, nessa época, um compacto simples com as músicas "Tigresa", de Caetano Veloso, e "Sem maquiagem", composição da cantora Vanusa. Nesse período, a artista participou ainda como jurada no Programa do Bolinha, na TV Bandeirantes.



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Diário da Música ♪♫: Fátima Leão


Diário da Música ♪♫: Fátima Leão - Fátima Leão, famosa por ter músicas gravadas por nomes que são referência no estilo sertanejo, como Zezé di Camargo e Luciano, Bruno e Marrone e Chitãozinho e Xororó, já soma 25 anos de carreira como cantora e compositora. Ela diz cantar o romantismo e as coisas da natureza. Atualmente, além dos shows que faz, Fátima Leão tem um estúdio e uma gravadora em São Paulo.

Depois de ficar 17 anos longe dos palcos, Fátima Leão retomou a carreira de cantora com a música Pecado de Amor e escolheu São Paulo para gravar seu primeiro DVD com a participação de As Galvão, Christian e Cristiano, Edson Cadorini, Franco Levine, Geovany Reis e Fabrício, Guilherme e Santiago, Marcos e Belutti, Laluna e Vinícius, Os meninos de Goiás, Roger e Robson e Rick Sollo...


Aparecida de Fátima Leão nasceu em 2 de novembro de 1955, na cidade de Rio Verde, interior de Goiás. Cantora e compositora, Fátima Leão tem um currículo invejável. Sua carreira teve inicio ainda muito jovem, ela se apresentava em festas e festivais no estado de Goiás.

Enfrentando muitas dificuldades no inicio da carreira, pois as condições financeiras de sua família eram bem ruins. Mas como toda mãe que jamais desampara seus filhos, dona Lazara (mãe de Fátima) vendeu sua máquina de costura para cobrir os custos das viagens da cantora. Dona Lazara não imaginaria que esse primeiro investimento na carreira de sua filha, fosse o pontapé inicial para a trajetória de sucesso de uma das maiores cantoras e compositoras do país.

Com muita garra e determinação ela foi a luta, chegou a limpar o chão de uma escola de música em troca de aulas. Porém sua capacidade e talento eram tão evidentes que em pouco tempo, a mocinha que limpava aquela escola passou a dar aulas particulares, assumindo a responsabilidade financeira de sua família.

Inicialmente ela tinha como objetivo ser uma cantora, divulgar seu trabalho por todo o Brasil e vender muitos discos. Em suas apresentações o que chamava bastante a atenção além de sua voz marcante, era o repertório composto por músicas de sua autoria.

Não demorou muito para que as composições da cantora passassem a ser interpretadas por diversos artistas como: Zezé di Camargo e Luciano, Bruno e Marrone, Mato Grosso e Matias, Elias Muniz, Joel Marques entre outros.

O reconhecimento veio também através de premiações importantes como o prêmio Di Giorgio, Sharp e Canário de Ouro. Ao longo de 20 anos de carreira, seis CD´s lançados e mais de 1700 músicas gravadas, Fátima Leão escreveu seu nome e sua história no cenário da música, com forte presença no estilo sertanejo.


Fátima Leão colocou sua assinatura em canções que fizeram e ainda fazem sucesso nas rádios, nas TVs (tema da novela "Marcas da Paixão", da Rede Record, nas vozes de Gian e Giovani), na telas de cinema ("É Deus por nós", interpretada por Zezé di Camargo e Luciano no filme "Central do Brasil).



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SENTIMENTO SERTANEJO

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Meire Pavão


A música "Festa de Arromba", de Erasmo e Roberto Carlos diz “apresentando a todo o mundo Meire Pavão”, citando assim Meire uma das principais cantoras da Jovem Guarda.


Meire Pavão - Antônia Maria Pavão (2/6/1948 Taubaté/SP - 31/12/2008). Cantora. Filha do professor de violão, pesquisador de folclore e compositor Teotônio Pavão. Antonia Maria Pavão Fonyat (nome de casada) começou desde menina a tocar violão e aos 11 anos cantou, pela primeira vez no programa “Grande Ginkana Kibon” da TV Record.

As 13 anos já integrava o conjunto vocal Alvorada criado e dirigido por seu pai. O conjunto formado por quatro garotas começou com a gravação de um compacto-duplo pela Fermata (1961).

Em 1963 gravou com o Conjunto Alvorada as músicas "Paraná" e "Cidade sorriso", ambas de autoria de Teotônio Pavão.

Meire permaneceu no referido conjunto vocal até sua extinção em 1964, onde gravou mais cinco discos e se apresentou em dois programas exclusivos que o Alvorada mantinha: aos sábados na TV Record de SP e aos domingos na TV Paraná de Curitiba.

Em 1964 gravou o primeiro disco solo, um compacto simples com "O que é que eu faço do latim?", versão de Teotônio Pavão para a música "Che me ne faccio del latino", de Bertolazzi e Beretta. Essa gravação de Meire com acompanhamento dos Jet Blacks entrou rapidamente nas paradas de sucesso e tornou Meire bastante conhecida.

Depois desse primeiro, ela gravou mais 3 discos até preparar seu LP “A Rainha da Juventude” que foi lançado em 1965 com "Cancei de lhe pedir" e "A mesma praia, o mesmo mar", pela Chantecler.

Meire recebeu esse título porque foi considerada a cantora jovem mais popular de São Paulo pelo programa de TV “Reino da Juventude”(Record), de Antonio Aguillar. O “Rei da Juventude” pelo mesmo concurso foi Roberto Carlos. No mesmo ano apresentou-se com sucesso em programas de TV no Rio de Janeiro.


(versão de 'Taxman', dos Beatles - Meire Pavão acompanhada do conjunto Os Lunáticos - Meire Pavão - Chame um táxi (Taxman, George Harrison, Vrs. Albert Pavão)

Foi nesse início de 1965 que Meire, já considerada a revelação de 1964 pelas revistas “Melodias” e “Revista do Rock”, lançou seu segundo sucesso nas paradas: a versão do sucesso mundial de Petula Clark “Downtown”, que recebeu o nome de “Bem Bom”. Ao mesmo tempo era eleita “Rainha do Twist” ao lado de Jerry Adriani em concurso promovido pela Revista do Rock.


Cantou e gravou várias vezes com o irmão, Albert Pavão, tendo viajado com este no mesmo ano para os EUA, onde gravaram um compacto pelo selo Roulette com as músicas "Piqued head" e "The river of jerere", na verdade versões para o inglês de "Cabeça inchada", de Hervê Cordovil e "De papo pro ar", de Joubert de Carvalho.

Em 1966 estreou na RCA com o compacto simples "Família buscapé" e "Robertinho, meu bem". No mesmo ano gravou pela Polydor "Depois que a banda passou".



No ano seguinte lançou pela RCA o seu segundo LP. No mesmo período atuou na TV Tupi do Rio de Janeiro no programa "O riso mora ao lado". No mesmo canal, apresentou ao lado do cantor Wanderley Cardoso o programa musical "A grande parada".



Em 1969 afastou-se da vida artística, a qual retornou exporadicamente entre 1974 e 1982 participando de gravações de discos infantis Foi quando seu pai e seu irmão Albert começaram a produzir músicas para crianças com historinhas, a maioria em ritmo de rock, que então era uma novidade. É dessa fase LPs como “O Mundo Maravilhoso de Walt Disney” (1975-Sigla), “As mais belas lendas brasileiras” (1976-RCA), “Sítio do Picapau Amarelo” (1976-RGE), “Os 13 Mandamentos da Criança Bacana” (1977-RGE), “A Festa do Bolinha” (1977- RGE), “A Discoteca do Popeye” (RGE- 1979) e outros mais, a maioria com apoio da dupla vocal Vikings e de Thomas Roth. A última gravação de Meire foi no compacto duplo “Chico Bento” da Polygram, em 1982.


FONTE


sábado, 17 de setembro de 2011

Albert Pavão


Albert Pavão Neto nasceu em São Paulo/SP, no dia 02 de julho de 1942. Um dos pioneiros do rock brasileiro, se início o paulista Albert, depois Albert Pavão. Albert é irmão da cantora Meire Pavão (Antonia Maria Pavão) e filho do maestro Teotônio Pavão. Um dos pioneiros do rock nacional, iniciou sua carreira no inicio dos anos 60.

Em 1962 gravou seu primeiro 78rpm pela gravadora Mocambo com as músicas "Tu e Eu" (You and I)/'Move It', as duas músicas de Ian Samwell com o acompanhamento da banda "The Hits", a novidade é que até então o acompanhamento era feito por músicos e orquestras de estúdio, e não com a participação de grupos musicais jovens.


Em 1963 com arranjos de Rogério Duprat, grava a clássica versão de 'Vigésimo Andar' (Twenty Flyght Rock, de Eddie Cochran), obtendo bastante sucesso, e no lado B "Sobre Um Rio Tão Calmo" (Up a Lazy River) de Arondim e Carmichael, a música fez grande sucesso nas rádios paulistanas.


Albert Pavão apareceu em reportagem da 'Radio TV Actualidad', revista uruguaia, que publicou a letra de 'Vigésimo andar' em português e a versão em espanhol, que foi gravada por Orlando Alvarado.

Depoimento de Albert Pavão: Em fevereiro de 1964, fui à Montevideo, Uruguay, participar do I Festival Sudamericano de la Cancion que se realizou em Parque del Plata, no caminho de Punta del Este. Inscreví minha música "Meu broto só pensa em estudar" [Mi novia solo quiere estudiar] e participei do Festival ao lado do ídolo argentino Palito Ortega e outros. O recorte do jornal uruguaio "El País" mostra um anúncio do Festival. Eu sou o primeiro à direita. Entre os participantes uruguaios está Tony Angeli, que depois veio ao Brasil cantar no Jovem Guarda, e o conjunto Los Blue Kings que estava mudando de nome para Los Iracundos.

Los Iracundos me acompanharam em "Mi novia solo quiere estudiar" na final do Festival. Na primeira fase, quem me acompanhou foi o conjunto de Panchito Nolé, mas eu não gostei muito do arranjo que eles fizeram.

Los Iracundos eram conhecidos naquela época como Blue Kings e gravavam numa pequena gravadora de Montevideo. Quando tocaram no Festival, já tinham sido contratados pela RCA Victor, que era a maior gravadora da Argentina, responsável pelo Club del Clan, o correspondente da futura Jovem Guarda daqui. Eu fiz muita amizade com o guitarrista de solo dos Iracundos, acho que seu nome era Leonardo Franco. Foi ele que me apresentou o disco do Trini Lopez, que no Brasil, no início de 64 era desconhecido. Quando falei prá ele que The Jet Blacks eram brasileiros ele não acreditou. Achava que eram americanos, pois tinham um som muito "redondo".


As duas músicas premiadas com medalha de ouro no Festival em Parque del Plata, foram 'Que suerte', defendida por Palito Ortega, seu autor em parcerreia com Dino Ramos, e "Minha Oração", de autoria de Theotônio Pavão, com o Conjunto Alvorada, que foi gravada na Argentina por alguns cantores como "Mi Oración". 

'Que suerte' foi gravada em seguida por Violeta Rivas, e tornou-se seu maior sucesso. Violeta atuou no festival mas ganhou medalha de prata. Outras medalhas de prata: Chico Novarro com "El camaleon", Nicky Jones com "El watusi", eu com "Mi novia solo quiere estudiar" e outros. Palito cantou "Despeinada" no Festival, mas não concorreu.

"El Camaleon", de Chico Novarro é uma espécie de marchinha e foi gravada na VS, pelo Conjunto Alvorada, numa versão de Theotônio Pavão, com arranjo do Rogério Duprat.



Além de gravar, Albert Pavão apresentou-se por todo o Brasil, promovendo o rock and roll e afirmando-se como um dos roqueiros mais radicais de sua geração.

Albert Pavão lançou no final dos anos oitenta o livro 'Rock Brasileiro, 1955-65', resgatando a história da época, com informações e discografias, Parte das músicas que se encontra na discografia apresentada no livro está na série postada na sequência. Assim, ao recuperar parte das primeiras gravações do rock nacional, nada como conhecer um pouco mais sobre o período em que foram gravadas por quem viveu a época e conviveu com parte dos personagens presentes neste livro: o próprio Albert Pavão.


No prefácio, ele explica: “Este livro focaliza a música jovem feita no Brasil no período 1955/65 e está dividido em 3 partes: trajetória, personagens e discografia do rock brasileiro. Inicialmente é abordado o surgimento do rock and roll nos Estados Unidos, no começo dos anos 50, sua chegada ao Brasil, os primeiros roqueiros brasileiros, até se chegar ao ano de 1965, quando o programa de TV Jovem Guarda, comandado por Roberto Carlos, consagra o rock patrício como campeão de popularidade. Em seguida, são apresentados os principais protagonistas da história do rock tupiniquim, dos pioneiros até a turma do “lê-iê-iê”. Finalmente, uma discografia bastante abrangente, que foi elaborada com a participação dos principais colecionadores de discos de rock do Rio de Janeiro e que registra cerca de 400 intérpretes que gravaram rock, correspondendo a mais de 5.000 gravações”. Na sequência, Pavão informa que o principal objetivo do livro é o de resgatar fatos e nomes dessa fase pouco estudada pelos críticos musicais e historiadores de rock. Leitura obrigatória para todos.(fonte)


Este livro focaliza a música jovem feita no Brasil no período 1955/65 e está dividido em 3 partes: trajetória, personagens e discografia do rock brasileiro. Inicialmente é abordado o surgimento do rock and roll nos Estados Unidos, no começo dos anos 50, sua chegada ao Brasil, os primeiros roqueiros brasileiros, até se chegar ao ano de 1965 quando o programa de TV Jovem Guarda, comandado por Roberto Carlos, consagra o rock patrício como campeão de popularidade.


Em seguida, são apresentados os principais protagonistas da história do rock tupiniquim, dos pioneiros até a turma do “lê, iê, iê”. Finalmente, uma discografia bastante abrangente, que foi elaborada com a participação dos principais colecionadores de discos de rock do Rio de Janeiro e que registra cerca de 400 intérpretes que gravaram rock, correspondendo a mais de 5.000 gravações.

O principal objetivo deste trabalho é o de resgatar fatos e nomes desse período pouco estudado pelos críticos musicais e historiadores de rock, mas que foi sumamente importante por gerar o movimento Jovem Guarda e, em conseqüência, colaborar para a mudança que se verificou na música popular brasileira, através da adoção de instrumentos elétricos e eletrônicos -anteriormente predominantes nos grupos de rock - e da disseminação de um estilo mais pop, calcado especialmente em baladas.


Existem diversas opiniões sobre a real significância do rock feito no Brasil nesses anos. Alguns dizem que apenas copiava-se o que era feito no exterior. Outros, que houve mérito de se criar um “iê iê iê” nacional. Os dois lados não deixam de ter alguma razão, mas apesar das críticas recebidas ao longo do tempo, o rock “made in Brazi!” não deixou de dar sua contribuição em vários aspectos. A evolução ocorrida na indústria de instrumentos musicais (guitarras, baixo elétrico, etc.) e amplificadores, no começo dos anos 60, teve muito a ver com a crescente expansão da música da juventude.


Embora não se disponha de estatísticas de venda de discos para esse período, é de se supor que a influência do rock brasileiro nesse mercado foi positiva. Por outro lado, não se deve esquecer das novas opções de lazer e hobby que foram propiciadas aos jovens, através da formação de conjuntinhos de rock, o que aconteceu em todos os cantos das grandes cidades.


Para finalizar, cabe ressaltar que a principal fonte utilizada para escrever este livro foi o acervo do projeto “Memória do Rock Brasileiro”, existente no Museu da Imagem e do Som de São Pauto (MIS-SP). que foi coordenado por mim, nos anos de 1984 e 85, e que se constitui num conjunto de depoimentos gravados com mais de 50 figuras ligadas ao rock dos anos 50 e 60. Busquei ainda o auxílio de publicações especializadas, sem falar, certamente, da minha própria experiência pessoal, vivenciada a partir de 1960 nos programas de rádio e TV de São Paulo, como cantor e compositor.



A intenção que norteou este trabalho foi a de destacar aspectos significativos de um determinado momento da música jovem brasileira, procurando tanto quanto possível todas as fontes disponíveis para tal. Creio que este foi o mesmo caminho seguido pelos companheiros colecionadores, no que diz respeito à discografia.

Espero que as informações aqui apresentadas possam vir a ser de utilidade para pesquisadores e estudiosos da música popular brasileira. (fonte).



Em 1998, sua obra foi reunida no cd 'Antologia do Rock e da Jovem Guarda', organizado por ele, e lançado pelo selo paulista Bruno Discos.

ALBERT PAVÃO - Menina não entra no Clube do Bolinha


Albert Pavão mora no Rio de Janeiro e faz palestras pelo Brasil a respeito de músicas, inclusive infantil.


Lobo Mau e os 3 Porquinhos - Albert Pavão
'Mi novia solo quiere estudiar' [Meu broto só quer estudar], de Albert Pavão, concorreu no Festival em fevereiro de 1964.


Todas as músicas premiadas no I Festival Sudamericano foram editadas com partitura pela editora argentina Julio Korn, que competia por lá com a Fermata. Isso aconteceu com 'Mi Oracion' e 'Mi novia solo quiere estudiar'. Deste modo eu até hoje não sei se alguém gravou minha música na Argentina. Já 'Mi Oracion' foi gravada de início, em castelhano por um brasileiro que vivia na Argentina chamado Carlos Alberto - nada a ver com o cantor de boleros da CBS.

'Mi Oracion' foi lançada num LP ainda em 64 e meu pai, Theotônio Pavão, tinha o disco que na época nós escutávamos e a gravação ficou muito boa. Aí meu pai registrou "Minha Oração" na Fermata brasileira, pois a autorização à Julio Korn era só para a América Hispânica, e eu registrei "Meu broto só pensa em estudar" na Editora RCA.


No final de 1965, saiu o LP 'Perdidamente Apaixonado', de Wanderley Cardoso, contando como primeira faixa do lado A, uma balada de nome "Minha Confissão". A música era idêntica à 'Mi Oracion' e era atribuida a Palito Ortega, com versão de Genival Mello. Meu Pai abriu a boca e chamou o Genival às falas, depois entrando na Justiça contra a Copacabana. No final Theotônio Pavão recebeu todos os direitos autorais relativos a música.

O LP 'Perdidamente Apaixonado', do Wanderley teria sido muito mais vendido se não houvesse essa irregularidade com a música 'Minha confissão'. Com esse movimento que meu pai fez em 65, a divulgação do disco ficou um pouco prejudicada, isto na capital paulista, pois no interior e outros estados essa notícia certamente não chegou.



1.º LP de Wanderley Cardoso, lançado pela Copacabana no final de 1965. 'Minha confissão' foi simplesmente a gravação de 'Minha oração', de Theotônio Pavão, como 'roupa nova'. Foi parar na Justiça, com ganho de causa para Pavão.


Palito Ortega, o grande ídolo da juventude argentina a partir de 1962.
Rita Pavone e Palito Ortega em 1965.
Meire faz um La maior (A).
Meire Pavão, Rainha da FAB-1965, Edith Veiga & Marina Mar, as três do cast da Chantecler. 
Meire Pavão & Jacqueline Myrna. 
Rosemary & Meire Pavão segurando um dos pilares do Teatro de Cultura Artística, na rua Nestor Pestana, que a TV Excelsior usava como estúdios do seu famoso Canal 9.
Sweet Meire Pavão 
Meire Pavão acompanhado dos Lunáticos na TV Excelsior, Canal 9 em 1966. 
Meire Pavão sussurra algo no ouvido de Gianni Morandi em sua passagem pelo Brasil em Outubro de 1968 para lançamento do filme 'Não mereço você' (Non son degno di te) rodado em 1965, ma lançado 3 anos depois, na esteira do sucesso de 'Dio, come ti amo'. O auge da música italiana no Brasil já tinha passado. A RCA Victor bem que tentou um 'romance-de-brincadeirinha' entre os dois, mas os tempos eram diferentes daqueles idos 1964 quando o 'romance' entre Rita Pavone e Netinho encheu todas as paginas de jornais e revistas possíveis. Note que'O que eu faço do Latim?' o disco de maior sucesso de Meire Pavão era a versão de 'Che me ne faccio del Latino?' que Gianni Morandi gravou em 1963.

Albert Pavão diz: Aliás, uma coisa que pouca gente sabe é que a versão de Meire de "O que eu faço do Latim?" não foi tirada diretamente da gravação de Gianni Morandi, mas sim do disco de um cantor argentino chamadoRicardo Roda: "Que hágo con el Latim?". É por isso que ficou facil adaptá-la ao rock'n'roll e excluir aqueles "violinos irritantes" dos quais você falou.

'O que eu faço do Latim?', maior sucesso de Meire Pavão, versão inspirada na gravação 'Que hágo con el Latim?' do argentino Ricardo Roda.
Ricardo Roda gravou 'Que hágo con el Latim?'



The Vikings gravam 'My prayer' e 'Davy Crockett' para a Fermata. Foto tirada na Praia Azul da Riviera Paulista, quando a Represa Guarapiranga era limpa e tinha sede de associações como o Clube Paulistano Aero Naval.

The Vikings eram dois irmãos paranaenses. Diógenes Paulo, 19 anos, tinha um baixo invejável, e Olavo, seu irmão pré-adolescente de 13 anos, fazia o soprano. O texto da Fermata na contra-capa do compacto diz: Dois irmãos... duas vozes magníficas, totalmente diferentes uma da outrea, apresentando um estilo inconfundíve, incrível mesmo! Em seu primeiro compacto Os Vikings apresentam 'Davy Crockett', que narra as aventuras do famoso herói que inspirou alguns filmes de Walt Disney - adaptação para o português de Diógenes Paulo - e 'My prayer', a esplêndida página de Georges Boulanger, cantada aqui em inglês.

The Vikings em reportagem da 'Intervalo'.

Meire Pavão com The Vikings no restaurante Urso Branco em 'Uma noite no Texas' em 1969. Fois sua ultima apresentação como cantora profissional.


Theotônio Pavão com Ronnie Cord e Anna Maria (a moça do biquini em 'Biquini de bolinha amarelinha tão pequenininho') na casa de Nick Savoia em 1984.

Albert Pavão na noite de autógrafo de seu 1º. livro na Bienal do Livro do Rio de Janeiro em 1989, junto a varios colecionadores e pesquisadores cariocas, entre eles, Marcia Espindola, de calça bege, que em seguida passa a identificar o pessoal da foto:

Vamos lá ao grupo que está na foto e algumas considerações: Carlos Alberto Pavão, o autor do livro; ao lado da moça de branco [não identificada] está o Nélio [cabelo preto] especializado em rock inglês e que já escreveu alguns livros, 'Rolling Stones no Brasil', entre eles. Ao lado do Nélio está Antonio Adeo, coronel e professor do Colégio Militar, fã inveterado de rock and roll, principalmente dos anos 50 e country. O rapaz de camisa aberta eu não me lembro. Logo atrás de mim está José Roberto Oldies, antigo comissário-de-bordo da Varig, que ficou baseado alguns anos em Los Angeles fazendo a rota LA-Tóquio, um dos maiores colecionadores de rock tendo verdadeiras preciosidades, rockmaníaco assumido. O louro de bigode é o Luiz Henrique, o rei do vinil. A frente do Luiz Henrique, a esposa do Valdir Siqueira e o próprio Valdir, que é um dos maiores colecionadores de tudo quanto é tipo de música. Valdir e Luiz Henrique são um dos maiores colecionadores de São Gonçalo. O próximo a direita é meu grande amigo Antonio Vilaça o maior de todos os colecionadores que conheço. Conhece muito cinema e uma ida à casa do Antonio é uma viagem de volta aos anos 50. A casa dele é simplesmente uma loucura. Ao lado do Antonio estão Célia e Avelino; ele é fã de Elvis e rock anos 50. Marcia Espindola, Junho 2012.



Esse LP chamado 'Distração com a Orquestra Fantasia' é uma produção de Rogério Duprat que saiu pela gravadora Penthon, o braço da VS para venda de discos a domicílio. Era uma espécie de Imperial da VS.

Quando eu assinei com a VS, no começo de 1963, o Duprat quis me incluir nesse projeto e me pediu duas músicas que seriam acompanhadas pelo conjunto The Hits, que era com quem eu trabalhava nessa época. Gravamos e o LP saiu antes do "Vigésimo andar". Foi então que eles resolveram contratar os Hits também.

O Dave Gordon era um dos principais nomes do começo da VS e porisso estava presente em tudo quanto era lançamento inicial desse sêlo. A Penthon ainda lançou mais alguns LPs, inclusive o 'Rua Augusta Zero Hora' dosRebels com outra capa. Albert Pavão.

1963 - Albert Pavão - O Bikininho
  • Albert Pavão - Classic Collection
01 - Vigésimo andar (20º Flight Rock) (1963)
02 - Biquininho (1964)
03 - Move It (1962)
04 - Remember Baby (1962)
05 - Lobo mau e os três porquinhos (1965)
06 - All Shoop Up (1962)
07 - Sobre um rio tão calmo (Up a Lazy River) (1963)
08 - I Hate Lies (1962)
09 - Vamos mudar (We're Gonna move) (1962)
10 - Peggy Sue (1962)
11 - Japanese Doll (1964)
12 - A estrada é longa (Rocky Road Blues) (1963)
13 - Garota quadrada (1964)
14 - Meu brôto só pensa em estudar (1964)
15 - A casa da Ení (Heartbreak Hotel) (1963)
16 - Mulher de cabeça dura (Hard Headed Woman) (1964)
17 - Cleópatra, meu amor (1965)
18 - O homem de Virginia (1965)
19 - A garota do meu melhor amigo (1964)
20 - Piqued Head (Cabeça inchada) (1966)
21 - A batalha de Waterloo (1966)
22 - Filhinho do papai (1967)
23 - The River Of Jerere (De papo pro ar)
24 - My Baby (1966)
25 - O príncipe escamado (1975)
26 - Paraiso de amor (1991)
27 - Saudades do Guarujá (1991)
28 - Maldita goteira (1991)


Em 2011 foi lançado no restaurante Ed Carnes, do lendário Ed Carlos, o Livro "Rock Brasileiro 1955-65", de Albert Pavão. Nesta segunda edição do Rock Brasileiro 1955-65, Albert apresenta novas histórias, discografias e muitas imagens que recheiam ainda mais este universo que ainda é tão pobre de literatura. Leia mais aqui


FONTE

POR ONDE ANDA

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Léo Belico


Filho de amantes da música, Belico dava os primeiros passos ao lado do pai gaitista e da mãe que tocava muito bem o bandolim em Ponte Nova. Léo no violão e mais nove irmãos e irmãs alegravam os saraus da família. Bancário do Credireal e depois do Banco Mineiro da Produção (posteriormente o Bemge), teve na máquina de escrever a alavanca para uma carreira que começou como office-boy na cidade natal, chegando a contador em Belo Horizonte. Entretanto a burocracia bancária demandava uma válvula de escape para Léo Belico.

Em BH ele encontrou-se com dois conterrâneos, os irmãos Bolívar e Vladimir com os quais formou o Trio Aymoré que apresentava-se no Cassino da Pampulha, nas horas dançantes dos elegantes Iate Clube e Minas Tênis e nos bailes da capital.


Sucesso na cidade, a orquestra do maestro Deley precisou de um crooner e acabou chamando Léo para integrar a equipe. Era o finalzinho da década de 1940 e Belico entrou para o rádio. A Guarani tinha então um dos melhores casts da cidade: Jáder de Oliveira, Delfino Santa Rosa, Rômulo Paes e Orlando Pacheco.

Que emocion que mencionas a Leo Belico. Cuando yo tenia alrededor de 8 años mi mama me llevo a verlo a Radio El Mundo porque yo estaba enamorada de el y me firmo un autografo que todavia lo conservo hasta hoy. Gracias por el recuerdo”, comenta uma quase anônima Marta em um blog argentino. E foi por um capricho do destino que Léo Belico chegou em Buenos Aires.

Um prêmio em uma das festas de final de ano do Banco Mineiro da Produção presenteou o competente contador com uma passagem para a capital portenha. “Eu tinha um dinheirinho guardado que ganhei com a música em Belo Horizonte. Isso permitiria que eu passasse uma semana por lá”, relembra Belico. Uma semana ? Que nada.


Na primeira oportunidade que teve, Léo deu uma “canja” numa casa noturna. Suficiente para ser “descoberto” por um produtor musical da El Mundo que lançou a “bomba” no mercado argentino. Patrocinado pela única filial da elegante loja Harrods fora de Londres, Léo Belico conheceu a fama e a idolatria do rádio nos anos dourados. Também passou por outras duas grandes rádios da época, a Rádio Belgrano e a Splendid. Fez sucesso no cinema, participando de um número musical no filme “Romeo y Julita” (1954 - direção Enrique Carreras).


Léo Belico teve a admiração de Eva Perón e participou de inúmeros shows no território argentino para a fundação social que a toda-poderosa Evita comandava. Uma vez, convidado para noite de gala na Casa Rosada, sede do governo argentino, aproximou-se de um grupo de brasileiros que conversava com o presidente Perón. O líder do grupo fazia um comentário orgulhoso sobre o “nosso” artista brasileiro que faz sucesso, ao que Perón respondeu: “Bueno, es verdad que hace éxito, pero el Negro Belico es de nosostros”. O sucesso de “La voz de Brasil em Buenos Aires” – só cantava em português – levou Léo Belico por toda América do Sul, inclusive Colômbia onde chegou a ter que pedir escolta policial para locomover-se.



Com saudades do Brasil, Léo Belico regressou em agosto de 1960, aos 35 anos de idade. A partir daí faria apenas temporadas na Argentina. Irrequieto, ainda participou de programas na rádio Record de São Paulo e na mítica Nacional do Rio de Janeiro na qual apresentava-se sempre no programa do lendário César de Alencar, convivendo com os astros e estrelas da época: Marlene, Emilinha, Ângela Maria, Lúcio Alves, Jorge Veiga, Jorge Goulart, maestro Chiquinho e os irmãos Cyl e Dick Farney, entre outros tantos.

Ao lembrar a época, Léo Belico tenta disfarçar um pequena lágrima que corre do olho esquerdo. “É o tempo que esquece da gente, substituídos por isso que a TV mostra e o rádio toca hoje em dia. Músicas grosseiras, com palavras chulas. É o sucesso de hoje...”, lamenta Belico, talvez com saudades de uma época na qual apenas apresentava-se o artista bem trajado e que tivesse, realmente, qualidade. A mesma qualidade que levou o endereço do brasileiro – Tucumán, 320 – a tornar-se uma espécie de embaixada da cultura musical brasileira na capital argentina.


CURIOSIDADES
  • UMA SINFONIA DE BELO HORIZONTE

“Com a ida de Leo Belico para Buenos Aires, em abril de 51, o conjunto “Terceto Aymoré” se desfez. Leo viajou à Argentina de férias com um grupo de cantores mineiros, entre os quais as irmãs Neide e Nanci.

Numa noite, no Tabaris, boate elegante que ficava na Avenida Corrientes, ele foi apresentado pelos companheiros como um grande cantor de música popular. Subiu ao palco e cantou sob aplausos. Na platéia, estavam dois casais de brasileiros e um se aproximou do Leo para cumprimentá-lo e saber se ele não se interessaria em tentar o rádio na Argentina:

- Tenho um amigo que é diretor da rádio El Mundo – disse-lhe o novo admirador.

– Procure-me na embaixada brasileira, onde trabalho.

Leo levou a sério a oferta. Foi à embaixada e de lá saiu com um cartão apresentando-o a um almirante que dirigia a El Mundo (era a época de Perón, que colocou militares em várias funções civis). Fez um teste na emissora e, aprovado, ficou 11 anos na Argentina, cantando com enorme sucesso lá e em outros países sul-americanos. O nome do seu benfeitor era Arthur da Costa e Silva, então adido militar em Buenos Aires. Entre 1966 e 70, foi presidente-ditador do Brasil”. (AQUI - Jornal WebMinas - Sebastião Nery, Jornalista e escritor, escreve no Jornal WebMinas às terças, quintas e sábado.


A Música "Triste Regresso", interpretada por Leo Belico listou entre as 100 mais tocadas em 1961. Leo Belico participou do LP "Zerado" - Encontro com Dorival Caymmi (1967) interpretando a música "Maracangalha" (Leo Belico – Maracangalha (Samba, RCA Victor 80.1733B, 1957).


Participaram também da gravação Dorival Caymmi com "A lenda do Abaeté", "Saudades de Itapuã", "Sodade Matadeira"; Nelson Gonçalves com "Dora" e "Marina"; Angela Maria com "Nem eu..."; Miltinho com "Rosa Morena"; Ivon Cury com "Romances de Caymmi"; Titulares do Ritmo com "Samba da Minha Terra"; Trio do Fafá com "Saudades da Bahia".


*LEO BELICO acompanhado de Roberto e Sua Orquestra gravou, na Argentina, músicas de Ary Barroso, Herivelto Martins; João de Barro, Luiz Gonzaga, são elas: Juazeiro, Sansão e Dalila; Forasteiro e Cabelos Brancos.


01 - Faustina (Maizitelli-Molé)
02 - Esta noche sereno (Cordovil)
03 - Sassaricando (L.Antonio-Zá María-O.Magalhaes)
04 - Donna do mundo (Rizzo-Milano-Belico-Videla)
05 - Voy a bailar hasta que amanezca (Laura Maia)
06 - Pájaro enjaulado (Hervé Cordovil - Mario Vielra)
07 - Venganza (L. Rodriguez)
08 - Ana María (Soberano-Bichera)
09 - Me deixa en paz (M.C. Menezes - A. Amorín)
10 - Peixe vivo (Páez- H. de Almeida)
11 - Adeus América (Barboso - Jacques)
12 - Canción del vaquero (Luis Bonfá)
13 - El delegado quiso prender a Antonio (Lobo-M de Oliveira)
14 - Baión de Copacabana (Barboso - Lucio Alves)



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