quinta-feira, 31 de março de 2011

Gonzaguinha

Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior
22/9/1945 Rio de Janeiro/RJ
30/4/1991 perto de Curitiba/PR

As composições de Gonzaguinha entremeadas de sonho e realidade, e principalmente de paixão pela vida lhe garantem um lugar de honra na história da música popular brasileira.



Gonzaguinha iniciou sua carreira artística em 1968, participando do I Festival Universitário de Música Popular do Rio de Janeiro, no qual classificou entre as finalistas sua música "Pobreza por pobreza".

No ano seguinte, Gonzaguinha venceu o mesmo festival com sua canção "O trem". Ainda em 1969, fundou, com Ivan Lins, Aldir Blanc e César Costa Filho, entre outros, o Movimento Artístico Universitário (MAU).

Suas músicas exploram temas multifacetados relacionados ao seu contexto sócio-cultural. Foram músicas de protesto e de resistência à ditadura, como: “Comportamento Geral” (1973), mas também compos a ultra-romântica “Explode Coração” música que fez enorme sucesso na regravação de Maria Bethânia.

Além da música “Explode Coração”, o álbum “Gonzaguinha da Vida”, também se destacou com as músicas: “Diga Lá”, “Coração” e “Com a Perna no Mundo”, e a divertidíssima “Feijão Maravilha”, tema da novela homônima da TV Globo na voz das Frenéticas.



A grande fase de Gonzaguinha se prolongou ainda pelos dois discos seguintes: “De Volta ao Começo” e “Pessoa – Coisa Mais Maior de Grande”. O primeiro contém “E Vamos à Luta” (“Eu acredito é na rapaziada...”), “Grito de Alerta” e a balada “Sangrando”. O segundo tem como destaque “Eu Apenas Queria que Você Soubesse”.

Eu Apenas Queria Que Você Soubesse
Composição: Gonzaguinha


Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também

E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé

Eu apenas queira que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte de novas feridas
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida

Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também

Depois disso, no disco “Caminhos do Coração”, surge outro grande sucesso, um samba espetacular, “O Que É, O Que É ?”.

Em 1970, Gonzaguinha participou do V Festival Internacional da Canção (TV Globo) com suas músicas "Um abraço terno em você, viu mãe", lançada em compacto simples pela Odeon, e "Mundo novo, vida nova".

Três anos depois, gravou seu primeiro LP, "Luiz Gonzaga Jr.", com destaque para sua composição "Comportamento geral".



Em 1974, gravou mais um LP, que incluiu, entre outras, as canções "Galope" e "Meu coração é um pandeiro".

No ano seguinte, apresentou-se por todo o Nordeste do país, ao lado de Paulinho da Viola, Fagner e Amelinha. Ainda em 1975, lançou o LP "Plano de vôo", que registrou, entre outras, as canções "Mundo novo, vida nova" e "Geraldinos e Arquibaldos".

Em 1976, gravou o LP "Começaria tudo outra vez", com destaque para a faixa-título e "Espere por mim, morena", além da gravação de "Asa Branca" (Luiz Gonzaga). Com esse disco, sua carreira de compositor ganhou impulso.

Em 1977, lançou, o LP "Moleque Gonzaguinha", destacando-se "Dias de Santos e Silvas". Ainda nesse ano, suas canções "A felicidade bate à sua porta" e "Explode coração", gravadas respectivamente pelo grupo As Frenéticas e por Maria Bethânia, fizeram enorme sucesso.





Lançou, no ano seguinte, o LP "Recado", com destaque para "Petúnia Resedá", que obteve muito êxito na interpretação de Simone.

Em 1979, encabeçando a lista dos maiores arrecadadores de direitos autorais, lançou o LP "Gonzaguinha da vida", realizando show homônimo. O disco contou com a participação de Nana Caymmi na faixa "Por um segundo".

No ano seguinte, lançou o LP "Gonzaguinha: de volta ao começo", com destaque para "Ponto de interrogação", "Grito de alerta", "Sangrando" e "Bié, bié, Brasil".

SANGRANDO - GONZAGUINHA- by Simone


Transferiu-se, em seguida para Belo Horizonte (MG). Nessa capital, colaborou na programação de Música Popular Brasileira da Rádio Inconfidência.

Em 1981, gravou o LP "Coisa mais maior de grande", destacando-se as canções "Mergulho", "Quando se chega", "O saco cheio de Noel", "Simples saudade" e "Santa maravilha".

Nesse ano, realizou turnê pelo Brasil, ao lado de Luiz Gonzaga, com o show "A vida do viajante", gravado ao vivo e lançado em LP duplo pela EMI/Odeon.

Em 1982, lançou o LP "Caminhos do coração", com destaque para a faixa-título, além do samba "O que é, o que é", logo convertido em grande sucesso.

No ano seguinte, gravou "Alô, alô, Brasil", disco que incluiu, entre outras, a canção "Um homem também chora", sucesso em gravação de Fagner.

Em 1984, gravou o LP "Grávido".

No ano seguinte, lançou "Olho de lince: trabalho de parto", destacando-se "Maravilhas banais" e "Deixa dilson". Ainda em 1985, participou do LP "Sanfoneiro macho", de Luiz Gonzaga, lançado pela RCA Victor.

Em 1986, fundou o selo Moleque, pelo qual lançou mais dois discos.

Dois anos depois, foi contemplado com o Prêmio Sharp. Ainda em 1988, participou do LP "Gonzagão e Fagner 2", lançado pela RCA Victor.

Após sua morte, foram lançados, pela EMI/Odeon, dois discos inéditos e ao vivo, um deles com Luiz Gonzaga.

Em 1997, seus 13 LPS gravados entre 1975 e 1985 foram relançados em CD remasterizados pela gravadora EMI/Odeon.

Autor de inúmeros sucessos como "Galope", "Começaria tudo outra vez", "Espere por mim morena", "A felicidade bate à sua porta", "Explode coração", "Petúnia Resedá", "Grito de alerta" "Um homem também chora", "Eu apenas queria que você soubesse", "Agora" e "Prêto que satisfaz" (da trilha sonora da novela "Feijão Maravilha", da TV Globo), suas músicas foram gravadas por diversos intérpretes como Luiz Gonzaga, MPB-4, Maria Bethânia, Marlene, Claudette Soares, Elis Regina, As Frenéticas, Simone, Nana Caymmi, Fagner, Agnaldo Timóteo e Joanna, entre outros.

Em 2001, dez anos após seu falecimento, a BMG lançou o CD "Simples saudade", uma coletânea de sucessos do compositor interpretados por vários artistas; Também nesse ano, Emílio Santiago gravou o CD "Um sorriso nos lábios", contendo exclusivamente canções de sua autoria.

Ainda em 2001, a Universal Music lançou a coletânea "Luiz Gonzaga Jr. - Gonzaguinha", compilação de 11 músicas lançadas em compactos pelo compositor no final dos anos 1960 e início dos anos 1970.

Em 2006, a cantora Clara Becker lançou o CD “Dois maior de grande”, com canções do compositor e de seu pai, Luiz Gonzaga.

Em 2007, foi publicado o livro “Gonzaguinha e Gonzagão – Uma história brasileira” (Ediouro), de autoria de Regina Echeverria. E também foi lançado o primeiro DVD do compositor, uma parceria entre a TV Cultura e a gravadora Performance Music, registro do programa “Ensaio”, com entrevista a Fernando Faro e a apresentação de 19 números musicais, produzido em 1990, um ano antes da morte do artista.

Em 2007, sua gravação de "E vamos à luta", de sua própria autoria, foi tema de abertura da novela "Duas caras" (Rede Globo), de Aguinaldo Silva.

Em 2008, Ivan Lins gravou, no CD e DVD “Saudades de Casa”, a canção “Debruçado”, parceria de ambos, composta em 1969 e inédita até então. A faixa contou com a participação de seu filho Daniel Gonzaga.

Maria Betânia incluiu no repertório do CD “Amor, Festa, Devoção”, lançado em 2010, sua canção “O que é, o que é”.



FONTE

Dicionário MPB

As Frenéticas


Poxa!! eu era criança quando assisti abertura da novela Feijão Maravilha (1979 - Rede Globo) com a divertidíssima música "Feijão Maravilha", (composição de Gonzaguinha) na voz das Frenéticas... e nunca mais esqueci.

Feijão Maravilha
by As Frenéticas



Dez entre dez brasileiros preferem feijão
esse sabor bem Brasil
verdadeiro fator de união da família
esse sabor de aventura
famoso Pretão Maravilha
faz mais feliz a mamãe, o papai
o filhinho e a filha

Dez entre dez brasileiros elegem feijão!
Puro, com pão, com arroz
com farinha ou macararrão
macarrão, macarrão!
E nessas horas
que esquecem dos seus preconceitos
gritam que esse crioulo
é um velho amigo do peito

Feijão tem gosto de festa
é melhor e mal não faz
ontem, hoje, sempre
feijão, feijão, feijão
o preto que satisfaz!...

A história de Dhu Moraes, Leiloca, Lidoka, Sandra Pêra, Regina Chaves e Edyr Duque será revisitada com direito a documentário com depoimentos e encenações para resgatar ao público a explosão do sucesso que foi As Frenéticas, conjunto musical que marcou época na década 70 no Brasil durante o fenômeno da discoteca


As Frenéticas cantam o tema da novela "Dancin' Days" (Fantástico 1978).

Nesta sexta-feira, dia 1º de abril, o ‘Por Toda Minha Vida’, da RedeGlobo, homenageia o grupo As Frenéticas e, sob o comando de Fernanda Lima, conta a história das seis mulheres que ditaram moda na década de 70: Leiloca, Lidoka, Sandra, Dhu, Edir e Regina são as protagonistas desta biografia e, em depoimentos divertidos e emocionantes, revelam curiosidades da época.

As atrizes que encarnam as cantoras durante a juventude são Lisieux Maia, Gabrielle Lopez, Nina Morena – sobrinha de Sandra –, Corina Sabbas, Denise Spíndola e Flávia Rubim, respectivamente. Nelson Motta, o idealizador da boate que lançou as garotas ao estrelato, comenta o momento musical em que surgiu a febre pelas frenéticas e como nasceu a ideia de formar o grupo. Os depoimentos de Marília Pêra, irmã de Sandra e ex-mulher de Nelson; Ney Matogrosso e Lulu Santos, amigos das artista; e Liminha, produtor musical, completam esta narrativa.

Sucesso nas rádios e palcos de todo país nos anos 70, As Frenéticas começaram a carreira como um despretensioso grupo de garçonetes performáticas que atendiam e entretinham os frequentadores de boate Dancing Days, de Nelson Motta. O projeto de três meses terminou, mas a história das seis artistas estava só começando. Depois de gravar a música “Perigosa”, uma composição de Nelson Motta, Rita Lee e Roberto de Carvalho, as cantoras ganharam fãs por todo país e se tornaram o símbolo da moda disco music que chegava ao Brasil. (aqui)

BIO

As Frenéticas, grupo musical feminino formado por seis vocalistas, que surgiu em 1976, no Rio de Janeiro, no auge do sucesso das discotecas.

Em 5 de agosto de 1976, o compositor e produtor musical Nelson Motta inaugurou num shopping no bairro da Gávea, Rio de Janeiro, a discoteca Frenetic Dancing Days, que se tornou a febre das noites cariocas.

Para servir as poucas mesas no espaço ocupado por uma enorme pista de dança, Motta teve a idéia de contratar garçonetes que, vestidas de malhas colantes, com saltos altíssimos e maquiagem carregada, fariam o atendimento, mas com uma inovação: no meio da noite, subiriam de surpresa ao palco, cantariam três ou quatro músicas, antes de voltar a servir.

Sandra Pêra, que era cunhada de Motta, casado com sua irmã, a atriz Marília Pêra, se interessou pela colocação e trouxe para o grupo as amigas Regina Chaves, Leiloca e Lidoka, que fizeram parte do conjunto Dzi Croquettes, e a cantora Dulcilene de Morais, a Nega Dudu. Completou o sexteto, indicada pelo DJ da discoteca, a mulata Edir de Castro, que tinha participado do elenco do musical Hair. Foi selecionado um repertório de cinco músicas e o grupo ensaiou com o músico Roberto de Carvalho, que então começava a namorar a roqueira Rita Lee.

Mas o sucesso das Frenéticas, como foram chamadas para associá-las ao nome da discoteca, foi tão grande, que milhares de freqüentadores entusiasmados exigiam que elas cantassem cada vez mais. Passaram a fazer shows de mais de uma hora e deixaram de ser garçonetes.

O público foi capturado por uma combinação inusitada de humor picante, erotismo nas roupas e na letra das músicas, ritmo contagiante e uma performance esfuziante no palco. No seu primeiro sucesso, Perigosa, o refrão "dentro de mim" repetido inúmeras vezes entre gemidos lúbricos e gritinhos histéricos, deu o tom de suas apresentações. Com o fechamento da Frenetic Dancing Days, passaram a apresentar-se no Teatro Rival, atraindo um público mais diversificado.

As Frenéticas foram as primeiras contratadas da gravadora Warner, que recém se instalava no Brasil. O primeiro compacto, , "A felicidade bate a sua porta", de Gonzaguinha ,foi muito executado nas rádios.



Em seguida, o primeiro LP "Frenéticas" vendeu 150 mil cópias rapidamente e recebeu um Disco de Ouro.

No final dos anos 70 conseguiram o feito inédito de emplacar o tema de abertura de duas novelas da Rede Globo, Dancin' Days e Feijão Maravilha. Depois vieram mais três discos pela Warner.



Em 1982, Sandra Pêra e Regina Chaves saem do grupo e o quarteto remanescente assina contrato com a gravadora Top Tape. Mas o único álbum lançado por este selo não fez sucesso e o grupo se desfez em 1984.

No entanto, o sexteto voltou a se reunir em 1992 para gravar o tema de abertura da novela Perigosas Peruas, da Rede Globo, e duas músicas inéditas para uma coletânea de seus sucessos lançada em CD. Até então, a discografia do grupo era constituída apenas de LPs de vinil. Outra coletânea em CD foi lançada em 1999.



Por iniciativa de Lidoka, as Frenéticas voltaram em 1998 com nova formação. Do grupo original ficaram Lidoka, Edir e Dulcilene com uma particularidade: as três, aconselhadas por uma numeróloga, mudaram seus nomes artísticos respectivamente para Lidia Lagys, Edyr Duqui e Dhu Moraes.

As demais integrantes do grupo original não quiseram retornar, preferindo continuar nas atividades que ainda em 2006 exercem: Regina, como produtora do humorista Chico Anysio; Leiloca como astróloga e atriz; Sandra, como diretora de teatro. As vagas foram preenchidas por Gabriela Pinheiro, Cláudia Borioni e Liane Maya.

Ao recusar o convite, Leiloca deixou registradas em seu sítio na Internet suas razôes: ela só participaria desta volta frenética, se houvesse uma infra-estrutura à altura: um show com um diretor bacana; um patrocinador; assessoria de imprensa; enfim , o básico.

As razões de Leiloca parecem ter se confirmado, o retorno das Frenéticas passou quase despercebido do grande público. Seu único disco gravado até agora só foi lançado três anos depois do retorno e não fez sucesso. Os fãs continuam preferindo suas músicas antigas.

Para sobreviver, Edyr e Dhu têm que manter paralelamente suas carreiras como atrizes.na TV. Edyr atuou em novelas e viveu a escrava alforriada Ruth em Sinhá Moça. Dhu é a Tia Nastácia do Sítio do Picapau Amarelo.



Em julho de 2006, para comemorar os 30 anos das Frenéticas, o grupo se apresentou em São Paulo junto com o grupo franco-americano Santa Esmeralda, do sucesso "Please Don't Let me Be Misunderstood"'.

CURIOSIDADES

  • As Frenéticas interpretam no Fantástico o frevo carnavalesco de Caetano Veloso "Chuva, Suor e Cerveja" com a participação de Tião Macalé.




    Bárbara Vetorazzi e amigas interpretando Dancing Days e Perigosas
  • Em 2010, o apresentador Luciano Huck prestou homenagem o grupo musical As Frenéticas no quadro Lata Velha do programa Caldeirão do Huck. Para recuperar sua caminhonete F75, a estudante Bárbara Vetorazzi, da cidade de Castelo, no Espírito Santo, teve que cantar as músicas Dancing Days e Perigosas. A moça escreveu para o programa pedindo a reforma do carro, para que o seu time de futebol, o Campestre, possa voltar a disputar os campeonatos da região.

  • Nelson Motta, no seu livro "Noites Tropicais", conta como foi o lançamento do primeiro sucesso das Frenéticas, quando ele resolveu inaugurar a casa noturna Frenetic Dancing Days (eternizado na música Tigresa, de Caetano).


"Para servir as poucas mesas espalhadas me volta da pista de dança, eu não queria garçons, mas garçonetes, como as novaiorquinas, alegres e divertidas, atrizes representando garçonetes. Assim que falei da ideia, minha cunhada Sandra Pêra se interessou pelo papel e me disse que chamaria sua amigas Regina Chaves, Leiloca e Lidoka, que tinham, participado da trupe feminina das Dzi Croquetes, diriogida por Lennie Dale, e uma ótima cantora, Dulcilene de Morais, a "Nega Dudu". Indicada por Dom Pepe, a mulata Edir de Castro, bailarina da trupe Brazilian, completou o grupo. Mas elas não seriam só garçonetes, no meio da noite subiriam ao palco de surpresa, cantariam três ou quatro músicas e depois voltariam "as bandejas. (...) Nasciam as Frenéticas. (p. 295). O Sucesso foi tão grande que elas vernderam mais de 100 mil cópias.

  • O grupo musical Chicas em matéria do jornal junto com as Frenéticas.


Miguel Bosé & Frenéticas - Tutti Frutti
  • As Frenéticas - Aula de Piano

Elza Laranjeira


Elza Laranjeira (Bauru/SP em 1925 - São Paulo em 1986) foi uma cantora brasileira. Aos 10 anos, Elza cantou na Rádio Clube de Bauru, porém na adolescência preferiu dar continuidade aos estudos e acabou formando-se pela Escola Normal de Bauru, onde ainda chegou a exercer a profissão lecionando em escola pública antes de iniciar a carreira artística.

Sua estréia foi na cidade de Rio Claro, na emissora Rádio Club (PRF-2). Em seguida, inscreveu-se na Rádio Cruzeiro do Sul (depois Piratininga). Laranjeira iniciou sua carreira mais precisamente na década de 40, substituindo Leny Eversong no programa de Blota Júnior, transmitido pela Rádio Cruzeiro do Sul. Numa falta da cantora Leny Eversong, Elza foi solicitada a enfrentar o microfone e obteve grande êxito, já que, assim como a colega, cantava bem em inglês. Acabou sendo contratada.

Aula De Matemática
Composição : Antonio Carlos Jobim / Marino Pinto
Pra que dividir sem raciocinar
Na vida é sempre bom multiplicar
E por A mais B
Eu quero demonstrar
Que gosto imensamente de você

Por uma fração infinitesimal,
Você criou um caso de cálculo integral
E para resolver este problema
Eu tenho um teorema banal

Quando dois meios se encontram
desaparece a fração
E se achamos a unidade
Está resolvida a questão

Prá finalizar, vamos recordar
Que menos por menos dá mais amor
Se vão as paralelas
Ao infinito se encontrar
Por que demoram tanto os corações a se integrar?
Se infinitamente, incomensuravelmente,
Eu estou perdidamente apaixonado por você.

Elza era uma exímia intérprete de samba-canção e também uma das maiores cantoras ao interpretar as músicas de Dolores Duran. Foi casada com o cantor Agostinho dos Santos e considerada uma das cantoras mais importantes do chamado broadcasting da radiofonia paulistana.

Tome Continha De Você - Elza Laranjeira

Elza atuou também na noite paulistana como crooner em boates como a Oásis. Posteriormente, o comunicador Blota Junior a levou para a Rádio Record (SP), onde permaneceu durante muitos anos (atuando também na TV do mesmo grupo). Suas primeiras gravações, na antiga Star (depois Copacabana), foram as dos sambas Foi sem querer (Simonetti e Maragliano) e Quando eu era pequenina (Simonetti e Donato), e das canções Dia das mães e Poema das duas mãozinhas, passando depois a lançar vários sucessos.


Elza Laranjeira - Ninguém é de Ninguém

Em 1945, transferiu-se com o apresentador para a Rádio Record de São Paulo. Elza teve êxito em países latino-americanos, principalmente no Uruguai. Em 1951 conquistou o prêmio Roquete Pinto de melhor cantora. Durante longo período atuou em shows das boates paulistanas, sendo considerada uma das maiores intérpretes de Dolores Duran.

Em 1951, fez suas primeiras gravações pelo selo Star, lançando quase simultaneamente dois discos, com os sambas "Foi sem querer", de Enrico Simoneti e Maragliano e "Quando eu era pequenina", de Enrico Simoneti e Donato, e, as canções "Poema das duas mãozinhas", de Hervê Cordovil e Jorge de Lima e "Dia das mães", de Maria Cecília B. França. No mesmo ano, gravou o baião "O galo já cantou", de Hervê Cordovil e Raul Duarte.

Em 1953, foi contratada pela Copacabana e lá estreou com o samba "Vida nova", de Alfredo Borba e Sérgio Rubens e a batucada "A louca chegou", de Rômulo Paes, Adoniran Barbosa e Henrique de Almeida. No mesmo ano, gravou o samba "Gol de Baltazar", de Alfredo Borba, homenagem ao então artilheiro do time de futebol do Corinthians de São Paulo. Gravou também no mesmo período, em dueto com Cauby Peixoto, o samba "Já paguei o meu tributo", também de Alfredo Borba. Ainda no mesmo ano, estreou na gravadora Columbia, com o choro "Doçura", primeira composição de sua autoria e o samba canção "Meu Deus não sei", de Ted.

Em 1954, gravou a marcha "É covardia", de Alfredo Borba e José Sacomani e o samba "Mulher namoradeira", de Alfredo Borba. No mesmo ano, gravou outra música alusiva ao futebol, uma vez que a seleção brasileira de futebol, em junho daquele ano, participava da Copa do Mundo da Suiça, o samba "Gol do Brasil", de Alfredo Borba. No ano seguinte, gravou o xote "Bandinha do interior", de Mário Vieira e Elpídio dos Santos e o baião "Baião espanhol", de Alfredo Borba e Luiz Gaúcho. No mesmo ano, gravou mais duas composições de Alfredo Borba, a marcha "Gole de cachaça" e o samba "Lampião de querosene".


Em 1956, teve uma rápida passagem pela Odeon, onde gravou dois discos. No primeiro, cantou "Lavadeiras de Portugal", de Popp e Lucchesi, em ritmo de baião, com versão de Joubert de Carvalho e o choro "pica-pau", de Alfredo Borba e José Henrique. O segundo disco, lançado em janeiro do ano seguinte, trazia a valsa "Que será, será", de Livingstone e Evans, com versão de Nadir Corte Real, e, o samba "Poço dos desejos", de Edson Borges.

Em 1957, passou a gravar na RGE e lançou avalsa " Dois olhos azuis", de M. Jary e Maugéri Neto e o beguine "Insônia", de Mário Albanese e Heitor Carrilho, com acompanhamento de Enrico Simoneti e sua orquestra.


Em 1959, gravou o fox "É disso que eu gosto", de Heitor Carrilho e Maugério Neto e o samba canção "Dona saudade", de Mário Albanese e Habib Nader. Seu maior sucesso foi o samba-canção "Eu Sei que Vou Te Amar" (Tom Jobim/ Vinicius de Moraes), em 1959.
 
No mesmo ano que gravou de Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes, o samba canção "Eu sei que vou te amar", gravou de Marino Pinto o samba "Aula de matemática". Foi considerada uma das maiores intérpretes de Dolores Duran, de quem gravou ainda em 1959, o samba canção " A noite do meu bem".


Cantou durante muito tempo em casas noturnas de São Paulo. Destacou-se como cantora romântica, tendo gravado valsas, fox, beguines e sambas canções, como "Estou amando azul", de Fernando César e Britinho, lançado também em 1959.
 
No ano seguinte, gravou o samba canção "Fale baixinho", de Portinho e Heitor Carrilho, e a marcha rancho "Um punhadinho de estrelas", de Mário Albanese e Heitor Carrilho. No mesmo ano, gravou o samba " Tome continha de você", de Dolores Duran e o samba canção "Um minuto só", de Edson Borges.
 
Fiel ao seu estilo de músicas românticas, com temâticas amorosas, gravou ainda no mesmo ano, o bolero "Ninguém é de ninguém", de Umberto Silva, Toso Gomes e Luiz Mergulhão e, o fox "Devaneio", de Djalma Ferreira e Luiz Antônio. Deixou a Rádio Record e foi para Rádio Nacional (SP) no início da década de 1960.

Ainda em 1960, lançou seu primeiro LP, e um dos discos de maior destaque, "A noite do meu bem", com Simonetti e sua Orquestra, no qual cantou além da música título, as composições "Tome continha de você", de Dolores Duran e Édson Borges; "Um punhadinho de estrêlas", de Mário Albanese e Heitor Carillo; "Cuidado coração", de Ciloca Madeira e Fred Jorge; "Eu sei que vou te amar", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes; "Estou amando azul", de Fernando César e Leal Brito "Britinho"; "Fale baixinho", de Portinho e Heitor Carillo; "Quando te achei", de Adoniran Barbosa e Hilda Hilst; "Podem falar", de Agostinho dos Santos e Quico; "Conversa", de Jair Amorim e Evaldo Gouveia; "Um minuto só", de Édson Borges, e "Porquê", de Hervé Cordovil e Vicente Leporace.
 
Em 1962, gravou o bolero "Sem motivo", de Aderaldo Monteiro e o samba canção "Mais uma vez adeus", de Georges Auric e Teixeira Filho. No mesmo ano, gravou acompanhada pelo Conjunto RGE, dois clássicos da bossa nova, os sambas "Só danço samba", de Tom Jobim e Vinícius de Moraes e "Samba do avião", de Tom Jobim. Apresentou-se em vários países latino-americanos, destacando-se o Uruguai.

Recebeu o Prêmio Roquete Pinto (melhor cantora paulista de música internacional), o Prêmio Cidade de São Sebastião (RJ) e o Troféu Chico Viola (SP). As músicas "A noite do meu bem", de Dolores Duran e "Eu sei que vou te amar", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes destacaram-se entre suas gravações de maior sucesso.


Elza chegou mesmo a dedicar um LP inteiro à referida dupla de compositores – "A Música de Jobim e Vinicius" (RGE), com várias inéditas. A música fez tanto sucesso que foi escolhida pra ser seu prefixo musical. Considerada por Vinicius de Moraes como "a voz mais feminina do Brasil" Elza foi escolhida por Jobin para participar do terceiro LP da dupla, de 1963.

Elza também fez sucesso com a música A noite do meu bem (Dolores Duran) pela RGE. Um dos seus maiores êxitos, foi em 1963, ano em que lançou o LP "A música de Tom e Vinicius", nesse disco cantou "Só danço samba", "Sem você", "Por toda minha vida", "Serenata do adeus" e "Derradeira primavera".

Elza Laranjeira - Corcovado

Em 1963, lançou o LP "A música de Tom e Vinicius", no qual interpretou, entre outras, "Só danço samba", "Sem você", "Por toda minha vida", "Serenata do adeus" e "Derradeira primavera". Ficou um tempo afastada da vida artística, só retornando em 1975. Nesse mesmo ano voltou a cantar na Boate Samba-Enredo (SP).

(LP "A Música de Jobim e Vinicius" - 1963).

Elza gravou outros LPs na mesma etiqueta, porém sempre ficou mais restrita ao ambiente paulista, ao contrário de seu marido, o cantor Agostinho dos Santos.

FONTE

Wikipédia

Cliquemusic

Cifrantiga







Germano Mathias


Germano Mathias, referência do samba de sotaque paulistano, recebeu a alcunha de “Catedrático do Samba”, depois de receber, da X-9 Paulistana, o título alegórico “Bacharel do Samba da Ordem da Palheta Dourada”.

Autor de sucessos dos anos 50 e 60, como "Guarde a Sandália Dela", e intérprete de muitos outros hinos do gênero, como: "Malvadeza Durão", de Zé Keti, "A História de um Valente", de Nelson Cavaquinho, e "Joga a Chave", de Adoniran Barbosa... Germano Mathias, o último dos malandros de figurino, carrega consigo parte da história do gênero que destila em performances cheias de bossa, improviso e imitações dos sons de cuíca e trombone.

BIO

Germano Mathias (São Paulo, 2 de junho de 1934) é um cantor brasileiro, representante do samba paulistano. Sambista nascido no bairro da Barra Funda, foi contratado pela Rádio Tupi em 1955, depois de se apresentar em um programa de calouros da emissora cantando um samba. Seu grande sucesso foi "Minha nega na janela", também seu samba de estreia.



Germano chama a atenção por causa do jeito peculiar de interpretar os sambas, sempre de forma sincopada, e acompanhá-los tocando com uma tampa de uma lata de graxa, herança dos engraxates da Praça da Sé, com quem conviveu no início da década de 1950.

Em 1957 saiu seu primeiro LP, "Germano Matias, o Sambista Diferente", título que se devia à sua maneira diferente de interpretar sambas e ao acompanhamento percussivo feito por tampa de lata, que executava.

Germano também é conhecido por interpretar vários sambas de Zé Ketti:"Nega Dina", "Malvadeza Durão" e "O Assalto" são exemplos; e o primeiro a gravar um samba de outro ícone do samba paulistano, Geraldo Filme. Durante a década de 70, chegou a ser um dos campeões de vendas de discos do país.

Fã de Germano, Gilberto Gil gravou em 1978 o álbum "Antologia do Samba-Choro", que traz também algumas gravações originais do sambista nascido na Rua Santa Rita, no bairro paulistano do Pari. A maioria de seus discos saíram nas décadas de 1950 e 1960. Depois disso seus lançamentos foram cada vez mais esporádicos.

Germano Mathias participou dos filmes:
  • "O Preço de Vitória";
  • "Quem roubou meu samba".
Foi convidado para atuar na novela Brasileiras e Brasileiros, exibida pelo SBT em 1990.

Germano apresentou-se em 2000 no programa Musikaos, da TV Cultura. Em 2000, o lançamento do filme/
documentário com a história de sua vida - "O Catedrático do Samba" - contribuiu para que a mídia o redescobrisse, ficando as portas da imprensa escrita, falada e televisiva bem mais abertas. Foi um ano de agenda cheia com shows, entrevistas e muitas homenagens...

Em 2005, Germano Mathias completou 50 anos de carreira.

Em 2003, lançou "Talento de Bamba". Em CD, pode-se encontrar: "Ginga no Asfalto", de 1962; "20 preferidas. Germano Mathias" (Som Livre).

Em 2004 lançou "Tributo a Caco Velho", em homenagem ao compositor gaúcho que tanto o influenciou, morto em 1971.



Em 2007, durante o show da turnê "Banda larga", de Gilberto Gil, em São Paulo - o cantor deu espaço para homenagens a sambistas clássicos como: Cartola, e Zé Keti, Jackson do Pandeiro, Gordurinha e Germano Mathias.

Ainda em 2007, lançou o DVD Germano Mathias - Ginga no Asfalto - Brasil - 2007 - No DVD Germano, que foi um dos maiores vendedores de discos na década de 50 e 60, canta seus sucessos acompanhado por: Quinteto em Branco e Preto, Raul de Souza, Bocato, Osvaldinho da Cuíca e outros.


Em 2008 foi lançado o livro biográfico: "Sambexplícito as Vidas Desvairadas de Germano Mathias"  (448 páginas), por Caio Silveira Ramos - em São Paulo. Publicado pela editora Girafa, o livro usa a gíria dos meios sociais nos quais o artista esteve e que aparecem em seus sambas. O prefácio da obra é de Walnice Nogueira Galvão. O livro aborda temas como racismo no cenário musical nos anos 1950 e a influência dos ritmos do Norte e do Nordeste no samba.



Sobre o livro o espaço Forró em Vinil destaca: "Abro uma extensa discussão sobre a influência da música do Norte e Nordeste sobre o samba (em especial o sincopado) e digo da relação de Germano com Manezinho Araújo e Gordurinha (foi grande amigo de ambos – aliás o LP do Gordurinha recém colocado no ‘Forró em Vinil‘ (Mamãe, estou agradando) apresenta músicas que o Germano canta há muito tempo e que inclusive foram apresentadas recentemente – e de forma magnífica – no Programa ‘Sr. Brasil’ do Rolando Boldrin: Marido de Vedete, Calouro Teimoso e Súplica Cearense).

Ademais, Mathias também gravou músicas de Luiz Wanderley, do próprio Gordurinha e Elias Soares. Isso sem contar que planeja gravar há muitos anos um CD de cocos sincopados (ele tem o repertório todo pronto). Por isso o livro trata também de Jackson do Pandeiro (de quem Germano foi também amigo), de Osvaldo Oliveira e Jacinto Silva...



(Roberta Sá e Germano Mathias no Prêmio TIM de Música, cantando "Guarde a Sandália Dela", da dupla Germano Mathias e Sereno.)

Em 2009, o veterano Germano Mathias, conhecido por seu estilo sincopado de cantar e suas letras recheadas de humor,  homenagiou o compositor Gordurinha - cuja obra destaca-se pela enorme capacidade de fazer piadas e sátiras de qualquer situação. O show apresentado no SESC Ipiranga foi uma oportunidade para conhecer melhor a obra desse grande compositor brasileiro, por meio da interpretação de um dos mais talentosos intérpretes paulistanos. Germano Mathias cantou acompanhado por um quinteto de violão, cavaquinho, percussões e sopro.

No dia 13/01/2009 às 22h10 na TV Cultura, o programa Sr.Brasil reprisou a edição com Germano Mathias e Daniel Gonzaga. Germano interpretou: Súplica Cearense (Gordurinha e Nelinho), Orora Analfabeta (Gordurinha e Nascimento Gomes), Calouro Teimoso (Gordurinha e Nelinho), O marido da Vedete (Gordurinha e Nelinho), O turista Baiano (Luis Vanderlei e Elias Soares) e Não é da Bahia (Padeirinho da Mangueira e Jorge Costa).

Germano apresentou-se acompanhado pelos músicos Edson Alves (violão), Luizinho 7 cordas (violão de 7 cordas), Milton Mori (cavaquinho) e Paulo Pixu (timba). E Daniel Gonzaga canta Comportamento Geral (Gonzaguinha), Não dá mais pra segurar (Explode Coração) e João do amor divino (Gonzaguinha), acompanhado por Edmilson Capelupi (violão de 7 cordas), Edson Alves (violão), Milton Mori (bandolim) e Paulo Pixu (timba). Reprise da reprise no domingo (18/01/2009) às 10h.

Curiosidade

  • Germano Mathias serviu o Exército com Rolando Boldrin, quando tinha pseudônimo de Madureira.

FONTE


Wikipédia

Cartola

Cartola em seu trabalho como contínuo no Ministério da Agricultura
Angenor de Oliveira, mais conhecido como Cartola, (Rio de Janeiro, 11 de outubro de 1908 — Rio de Janeiro, 30 de novembro de 1980) foi um cantor, compositor e violonista brasileiro.

Considerado por diversos músicos e críticos como o maior sambista da história da música brasileira, Cartola nasceu no bairro do Catete, mas passou a infância no bairro de Laranjeiras. Tomou gosto pela música e pelo samba ainda moleque e aprendeu com o pai a tocar cavaquinho e violão. Dificuldades financeiras obrigaram a família numerosa a se mudar para o morro da Mangueira, onde então começava a despontar uma incipiente favela.

Na Mangueira, logo conheceu e fez amizade com Carlos Cachaça - seis anos mais velho - e outros bambas, e se iniciaria no mundo da boemia, da malandragem e do samba.



Com 15 anos, após a morte de sua mãe, abandonou os estudos - tendo terminado apenas o primário. Arranjou emprego de servente de obra, e passou a usar um chapéu-coco para se proteger do cimento que caía de cima. Por usar esse chapéu, ganhou dos colegas de trabalho o apelido "Cartola".

Junto com um grupo amigos sambistas do morro, Cartola criou o Bloco dos Arengueiros, cujo núcleo em 1928 fundou a Estação Primeira de Mangueira. Ele compôs também o primeiro samba para a escola de samba, "Chega de Demanda". Os sambas de Cartola se popularizaram na década de 1930, em vozes ilustres como Araci de Almeida, Carmen Miranda, Francisco Alves, Mário Reis e Silvio Caldas.

Mas no início da década seguinte, Cartola desapareceu do cenário musical carioca e chegou a ser dado como morto. Pouco se sabe sobre aquele período, além do sambista ter brigado com amigos da Mangueira, contraído uma grave doença - especula-se que seja meningite - ter ficado abatido com a morte de Deolinda, a mulher com quem vivia.


Cartola só foi reencontrado em 1956 pelo jornalista Sérgio Porto (mais conhecido como Stanislaw Ponte Preta), trabalhando como lavador de carros em Ipanema. Graças a Porto, Cartola voltou a cantar, levando-o a programas de rádio e fazendo-o compor novos sambas para serem gravados. A partir daí, o compositor é redescoberto por uma nova safra de intérpretes.

Em 1964, o sambista e sua nova esposa, Dona Zica, abriram um restaurante na rua da Carioca, o Zicartola, que promovia encontros de samba e boa comida, reunindo a juventude da zona sul carioca e os sambistas do morro. O Zicartola fechou as portas algum tempo depois, e o compositor continuou com seu emprego público e compondo seus sambas.

Em 1974, aos 66 anos, Cartola gravou o primeiro de seus quatro discos-solo, e sua carreira tomou impulso de novo com clássicos instantâneos como "As Rosas Não Falam", "O Mundo é um Moinho", "Acontece", "O Sol Nascerá" (com Elton Medeiros), "Quem Me Vê Sorrindo" (com Carlos Cachaça), "Cordas de Aço", "Alvorada" e "Alegria".

No final da década de 1970, mudou-se da Mangueira para uma casa em Jacarepaguá, onde morou até a morte, em 1980.



Do Catete para a Mangueira

Angenor de Oliveira nasceu em 1908 na cidade do Rio de Janeiro. Era o primogênito dos oito filhos do casal Sebastião Joaquim de Oliveira e Aída Gomes de Oliveira. Apesar de ter recebido o nome de Agenor, foi registrado como Angenor - fato que só viria a descobrir muitos anos mais tarde, ao tratar dos papéis para seu casamento com Dona Zica na década de 1960. Para não ter que providenciar a mudança do nome em cartório, a partir de então passou a assinar oficialmente seu nome como Angenor de Oliveira.

Nascido no bairro carioca do Catete, onde também passou parte de sua infância. Quando tinha oito anos, sua família se mudou para as Laranjeiras, onde ele se tornou torcedor do time do bairro, o Fluminense. Lá nas Laranjeiras, entrou em contato com os ranchos carnavalescos União da Aliança e Arrepiados - neste último tocava cavaquinho (instrumento musical que lhe tinha sido dado pelo pai quando tinha somente 8 ou 9 anos de idade) e nos desfiles do Dia de Reis, em que suas irmãs saíam em grupos de "pastorinhas".

Era tão entusiasmado pelo Arrepiados que ao participar, mais tarde, da fundação da escola de samba Estação Primeira de Mangueira, sugeriu que as cores daquele rancho - o verde e o rosa - fossem as mesmas da nascente agremiação, que seria um símbolo dos mais reverenciados no mundo do samba. Na verdade, Carlos Cachaça disse que tinha existido no Morro da Mangueira um antigo rancho chamado Caçadores da Floresta, cujas cores eram exatamente o verde e o rosa.

Em 1919, movidos por dificuldades financeiras, os Oliveira foram para o morro da Mangueira, então uma pequena e nascente favela com menos de cinquenta barracos. Logo, conheceria e se tornaria amigo de outro morador da Mangueira, Carlos Cachaça, seis anos mais velho que Cartola, e que se tornaria, além de amigo por toda a vida, o seu parceiro mais constante em dezenas de sambas.

Quando tinha 15 anos, abandonou os estudos (tinha concluído apenas o quarto ano primário) para trabalhar, ao mesmo tempo em que se inclinava para a vida boêmia. Na adolescência, trabalhou como aprendiz de tipógrafo, mas logo se transformou em pedreiro. Foi enquanto trabalhava nas obras de construção, que ele ganharia o apelido com que se tornaria reconhecido como um dos grandes nomes da música popular brasileira. Para que o cimento não lhe caísse sobre os cabelos, resolveu passar a usar um chapéu-coco, que os colegas diziam parecer mais uma cartolinha, e assim, começou a ser chamado de "Cartola".

Tinha 17 anos quando sua mãe morreu. Pouco depois, após conflitos crescentes com o pai, inimigo da malandragem, acabou expulso de casa. Levou então por algum tempo uma vida de vadio, bebendo e namorando, frequentando zonas de prostituição e contraindo doenças venéreas, perambulando pelas noites e dormindo em trens de subúrbio. Esses hábitos o levaram a se enfraquecer fisicamente, adoecido e mal-alimentado, na cama de um pequeno barraco.

Uma vizinha do seu barraco chamada Deolinda – uma mulher gorda, forte e boa, sete anos mais velha, casada e com uma filha de dois anos – passou a cuidar e a gostar dele. Os dois acabam se envolvendo. Tinha na época apenas 18 anos e estava morando sozinho. Decidem viver juntos e Deolinda deixa o marido, levando a filha que o compositor irá criar como sua.

O barraco dividido por Cartola e Deolinda era habitado por mais gente, todos sustentados pela dona de casa, que lavava e cozinhava para fora. Sob seu teto e de Deolinda, Noel Rosa foi se abrigar algumas vezes, à procura de um refúgio tranqüilo.

Cartola exercia a atividade de pedreiro apenas esporadicamente, preferindo assumir o ofício de compositor e violonista nos bares e tendas locais. À época, já se firmava como um dos maiores criadores do morro, ao lado do grande amigo Carlos Cachaça e Gradim.

Com estes e outros compositores, Cartola integrava uma turma de brigões e arruaceiros que, não por acaso, formaram o Bloco dos Arengueiros, em 1925, para brincar o carnaval. Esse bloco seria o embrião da Estação Primeira de Mangueira.

A ampliação e fusão do bloco com outros existentes no morro, gerou, em 28 de abril de 1928, a segunda escola de samba carioca e uma das mais tradicionais da história do carnaval da cidade. Cartola, um dos seus sete fundadores (também assumiu a função de diretor de harmonia da escola, em que permaneceu até fins da década de 1930); Estação Primeira, porque, contando a partir da Central do Brasil, o morro de Mangueira ficava a primeira estação de trem de um lugar em que havia samba.

Cartola compôs "Chega de Demanda", o primeiro samba escolhido para o desfile e que só seria gravado pelo compositor em 1974, para o disco "História das Escolas de Samba: Mangueira".

No início da década de 1930, Cartola se tornou conhecido fora da Mangueira, quando foi procurado por Mário Reis, através de um estafeta chamado Clóvis Miguelão que subira o morro para comprar uma música.

O sambista vendeu os direitos de gravação do samba "Que Infeliz Sorte", que acabou sendo lançado por Francisco Alves, pois não se adaptava à voz de Mário Reis. Assinava então Agenor de Oliveira. Vendeu outros sambas a Francisco Alves, maior ídolo da música brasileira na época, cedendo apenas os direitos sobre a vendagem de discos. Neste comércio – que serviu para projetá-lo entre os sambistas na cidade –, Cartola conservava a autoria e não dava parceria a ninguém.

  • “O rapaz foi lá e disse: "Cartola, vem cá. O Mário Reis tá aí, queria comprar um samba teu". "O quê? Comprar samba? Você tá maluco, rapaz? (...) Eu não vou vender coisa nenhuma." (...) Ele disse: "Quanto é que você quer pelo samba?". Eu virei pro cara, no cantinho, disse assim: "Vou pedir 50 mil réis". "O quê, rapaz? Pede 500." (...) Com muito medo, pedi 500 contos. "Não, dou 300. Tá bom?" Eu disse assim: "Bom, me dá esses 300 mesmo". Mas com muito medo (...) Mas botou meu nome direitinho, legal (...). Ele comprou, mas não deu para a voz dele. Então gravou Chico, Francisco Alves. ” — Cartola, sobre o samba "Que Infeliz Sorte", Almanaque da Folha
Em 1932, Francisco Alves e Mário Reis gravaram outro samba seu, "Perdão, Meu Bem". Também remonta àquela época a amizade e a parceria que Cartola estabeleceu com Noel Rosa. Com o "poeta de Vila Isabel", compôs "Tenho Um Novo Amor", interpretada por Carmen Miranda, "Não Faz, Amor" e "Qual Foi o Mal Que Eu Te Fiz", interpretadas por Francisco Alves. Ainda naquele ano, Sílvio Caldas lançou "Na Floresta" (de autoria de Cartola, do próprio Sílvio e ainda a primeira composição em parceria com Carlos Cachaça). Também em 1932, a Mangueira foi campeã do desfile promovido pelo jornal "O Mundo Esportivo" com o samba "Pudesse Meu Ideal" (sua primeira parceria com Carlos Cachaça).

Em 1933, Cartola viu pela primeira vez um samba seu se tornar sucesso comercial: "Divina Dama", novamente na voz de Francisco Alves. Arnaldo Amaral gravou "Fita Meus Olhos" (com B. Vasquez), canção que encerrava o breve ciclo inicial de gravações de composições suas. A partir dali, o sambista passou a compor exclusivamente para a sua escola no morro, marginalizando-se do círculo artístico e de produção discográfica da cidade.

Em 1935, novamente a Mangueira teve premiado no desfile um samba de Cartola, "Não Quero Mais" (feito com Carlos Cachaça e Zé da Zilda), que foi gravado, em 1936, por Araci de Almeida e regravado, em 1973, por Paulinho da Viola, com o título alterado para "Não Quero Mais Amar A Ninguém".

Em 1940, Cartola foi convidado pelo maestro e compositor erudito Heitor Villa-Lobos, seu admirador, a formar um grupo de sambistas - entre eles, Donga, Pixinguinha, João da Baiana - para fazer algumas gravações de música popular brasileira para outro maestro mundialmente famoso, o norte-americano Leopold Stokowski (que percorria a América Latina recolhendo músicas nativas), realizadas a bordo do navio Uruguai (ancorado no pier da Praça Mauá, no Rio de Janeiro).

Dos sambas que Cartola gravou a bordo do navio, "Quem Me Vê Sorrindo" (composto com Carlos Cachaça) saiu em um dos quatro discos de 78 rpm, lançados comercialmente apenas nos Estados Unidos pela gravadora Columbia. Além da sua primeira gravação, foi registrado nesse álbum o coro da Mangueira com as vozes de Dona Neuma e de suas irmãs, a clarineta de Luís Americano, emboladas de Jararaca e Ratinho, a flauta de Pixinguinha, além das participações de Donga e João da Baiana e um arranjo de Villa-Lobos para o tema indígena Canidé Joune.

Popular, Cartola também atuou como cantor na rádio, apresentando músicas suas e de outros compositores. Ainda em 1940 criou com Paulo da Portela, o programa A Voz do Morro, na Rádio Cruzeiro do Sul, no qual apresentavam sambas inéditos, cujos títulos deviam ser dados pelos ouvintes. Assim, o programa premiava o ouvinte que tivesse sugerido o título escolhido para o samba.

Em 1941, formou, junto com Paulo da Portela e Heitor dos Prazeres, o Conjunto Carioca, que durante um mês realizou apresentações em um programa da Rádio Cosmos, da cidade de São Paulo.

Em 1942, "Não Posso Viver Sem Ela" (parceria com Alcebíades Barcellos) foi lançada no famoso disco "Ai Que Saudades da Amélia", de Ataulfo Alves.

“Gosto de fazer samba de dor de cotovelo, falando de mulher, de amor, de Deus, porque é isso que acho importante e acaba se tornando uma coisa importante ” — Cartola, comentando sua obra, Almanaque da Folha.

Nos anos seguintes, Cartola participou pouco no cenário musical. Entre suas poucas atuações artísticas, o sambista apareceu como corista da gravação de alguns cantores na Colúmbia e chegou a se apresentar com um grupo de morro no Cassino Atlântico.

Com a nova direção da Estação Primeira de Mangueira antipática a Cartola, o sambista viu seu samba ser desqualificado pelo júri que julgou as músicas concorrentes ao enredo que representaria a escola de samba no carnaval de 1947. Para piorar, ele contraiu meningite, ficando três dias em estado de coma e um ano andando de muleta. Com vergonha da condição de doente, acabou se mudando para Nilópolis. Foi cuidado por Deolinda, mas pouco depois assistiu à morte da mulher, vitimada por um ataque cardíaco. Com a morte de Deolinda, deixou o Morro da Mangueira.

Por um período de cerca de sete anos, andou desaparecido dos seus conhecidos. Fora do ambiente musical, muitos pensavam até que tivesse morrido. Chegou-se a compor sambas em sua homenagem. Em 1948, a Mangueira sagrou-se campeã do carnaval do Rio de Janeiro com seu samba-enredo "Vale do São Francisco" (com Carlos Cachaça).

Cartola vivia um período difícil em sua vida. Sem mais a atenção de Deolinda e o prestígio no morro da Mangueira, o sambista morava em uma favela no bairro do Caju, com uma mulher chamada Donária. Data dessa época a composição "Fiz Por Você o Que Pude", dedicada a Mangueira.

Cartola conseguiu trabalhos modestos, como o de lavador de carros e vigia de edifícios. Mas a entrada em cena de uma nova - e definitiva - mulher em sua vida alterou o seu destino. Quando Eusébia Silva do Nascimento, mais conhecida como Zica, o encontrou, o sambista estava em um estado lastimável, entregue à bebida, desdentado e sobrevivendo de biscates - sem contar ainda um problema no nariz, que tinha se tornado demasiadamente grande, devido a uma afecção denominada rinofima. Apesar disso, Zica, antiga admiradora de Cartola, se apaixonou por ele, conquistando-o. Zica o levou de volta ao morro da Mangueira, onde o casal se instalou em uma casa na subida do morro, perto da quadra da escola de samba e próximo da casa de Carlos Cachaça e Menina (irmã de Zica). Com Zica, Cartola viveria até o fim de seus dias, sem, no entanto, deixar filhos.

Mesmo sumido, Cartola ainda foi lembrado em 1952, quando Gilberto Alves gravou o samba-canção "Sim" (parceria com Oswaldo Martins).

Em 1957, Cartola trabalhava como vigia e lavador dos carros dos moradores de um edifício em Ipanema. Nessa função, foi identificado em uma madrugada pelo jornalista Sérgio Porto (ou Stanislaw Ponte Preta), sobrinho do crítico musical Lúcio Rangel (que havia dado ao sambista, anos antes, o apelido de "Divino Cartola"). Ao ver o compositor magro e maltrapilho em um macacão molhado, Stanislau decidiu ajudá-lo, começando por divulgar a redescoberta, que fizera, do sambista.

Àquela altura, Cartola era dado como desaparecido ou mesmo morto por muitos de seus conhecidos e admiradores. O reencontro com o jornalista foi definitivo para a retomada de sua carreira como músico e compositor.

A promoção rendeu algumas apresentações na Rádio Mayrink Veiga e em restaurantes, além de matérias em jornais e revistas. Sérgio também arranjou para o sambista, por meio do cronista e pesquisador Jota Efegê, um emprego de contínuo no jornal Diário Carioca em 1958[5] e, no ano seguinte, no Ministério da Indústria e Comércio.

Em 1958, foram gravados seus sambas "Grande Deus" e "Festa da Penha", respectivamente por Jamelão e Ari Cordovil. Em 1960, Nuno Veloso gravou "Vale do São Francisco" (parceria com Carlos Cachaça).

No início da década de 1960, Cartola se tornou zelador da Associação das Escolas de Samba, localizada em um velho casarão no centro do Rio de Janeiro, que se tornou um ponto de encontro de sambistas de toda a cidade. Além das rodas de samba no local, Zica - uma exímia cozinheira - passou a servir uma sopa aos participantes. Estimulado por amigos, Cartola e Zica resolveram aplicar a fórmula música-comida em um sobrado da rua da Carioca, também na zona central da cidade, em 1963. A iniciativa contou com o apoio financeiro de empreendedores considerados "mangueirenses de coração", como o empresário Renato Augustini.

O Zicartola se tornou um marco na história da música popular brasileira no início das década de 1960. Além da boa cozinha administrada por Zica, Cartola fazia as vezes de mestre de cerimônias, propiciando o encontro entre sambistas do morro e compositores e músicos de classe média, especialmente ligados à Bossa Nova, além de poetas-letristas como Hermínio Bello de Carvalho e jornalistas musicais como Sérgio Cabral. Velhos bambas, como Nelson Cavaquinho e Zé Kéti, se juntavam a novos talentos, como Élton Medeiros e Paulinho da Viola. Além da presença constante de alguns dos melhores representantes do samba de morro, diferentes gerações de cantoras se encontravam ali, como Elizeth Cardoso e Nara Leão.

No Zicartola, desafiado pelo amigo Renato Agostini, Cartola compôs com Elton Medeiros em cerca de 30 minutos o samba "O Sol Nascerá", que se tornaria um de seus grandes clássicos. A mesma facilidade para compor experimentaria em "Alvorada" um samba feito a seis mãos. Compusera com Carlos Cachaça a primeira parte de um samba que decidiram mostrar a Hermínio Bello de Carvalho, que escreveu então os versos da segunda parte, que ele musicou na hora.

Moda no Rio de Janeiro, o Zicartola inaugurou um gênero de casa noturna que viria a se propagar nas décadas seguintes. Apesar disso, o bar durou pouco e, mal-administrado, fechou as portas após dois anos de existência, pois seu dono definitivamente não tinha tino comercial. Em 1974, um bar chamado Zicartola foi aberto no bairro paulistano de Vila Formosa.

Ainda em 1964, Cartola e Zica se casaram oficialmente (às vésperas do casamento, ele compôs "Nós Dois" para ela), e o sambista atuou no filme "Ganga Zumba" (de Carlos Diegues), no papel de um escravo (já havia atuado discretamente em "Orfeu Negro" e ainda participaria de "Os Marginais"). O samba "O Sol Nascerá" foi gravado por Isaura Garcia.

Em 1965, foi lançado o álbum com gravações do Show Opinião, no ano anterior, realizado entre Zé Keti, João do Vale e Nara Leão - esta incluíu "O Sol Nascerá" (de Cartola e Elton Medeiros) no repertório do LP. Esta gravação tornou Cartola, assim como outros sambistas de seu círculo, conhecidos pelo público de classe média da época, projetando-os profissionalmente. Em consequência do prestígio que ganhou, Cartola chegou a ter seu nariz retocado pelo célebre cirurgião plástico Ivo Pitanguy. Pery Ribeiro e Bossa Três também regravam "O Sol Nascerá".

Ainda em 1965, Cartola iniciou a construção de uma casa (verde e rosa) ao pé do morro da Mangueira, em terreno doado pelo então Estado da Guanabara. Naquele mesmo ano e no seguinte, fez participação em dois discos de Elizeth Cardoso, que gravou o samba "Sim" (parceria com Oswaldo Martins e Leny Andrade). Ainda em 1966, gravou com Clementina de Jesus seu samba "Fiz por você o que pude".

Em 1968, participou em duas faixas do LP "Fala, Mangueira", que reuniu, além dele, Nelson Cavaquinho, Carlos Cachaça, Clementina de Jesus e Odete Amaral. Também naquele ano, Cartola gravou com Odete Amaral "Tempos Idos" (parceria com Carlos Cachaça) e Ciro Monteiro gravou "Tive Sim".

Em 1970, Cartola protagonizou uma série de apresentações promovidas pela União Nacional dos Estudantes, intituladas "Cartola Convida", na praia do Flamengo, onde recebia grandes nomes do samba. Também naquele ano, a Abril Cultural lançou um volume dedicado à sua obra na série "História da música popular brasileira", no qual o sambista interpretou "Preconceito" (de sua autoria).

Em 1972, Paulinho da Viola gravou "Acontece" e Clara Nunes gravou "Alvorada" (com Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho).

Em 1973, Elza Soares gravou "Festa da Vinda" (parceria com Nuno Veloso).

Mas a consagração definitiva viria somente em 1974, alguns meses antes de completar 66 anos, quando o sambista finalmente gravou seu primeiro disco-solo. Cartola, lançado em uma iniciativa do pesquisador musical, produtor de discos e publicitário Marcus Pereira.

O disco, que recebeu vários prêmios e foi considerado um dos melhores daquele ano, reunia uma coleção de obras-primas de Cartola e uma equipe de instrumentistas de primeira linha no acompanhamento. O sambista interpretou "Acontece", "Tive Sim", "Amor Proibido" e "Amor Proibido" (canções de autoria própria), "Disfarça E Chora" e "Corra E Olhe O Céu" (parceria com Dalmo Casteli), "Sim" (com Oswaldo Martins), "O Sol Nascerá" (com Élton de Medeiros), "Alvorada" (com Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho), "Festa Da Vinda" (com Nuno Veloso), "Quem Me Vê Sorrindo" (com Carlos Cachaça) e "Ordenes E Farei" (com Aluizio).

Também em 1974, a mesma gravadora Marcus Pereira lançou o LP "História das escolas de samba: Mangueira", no qual Cartola interpretou algumas faixas. Pouco depois, durante uma entrevista ao radialista e produtor Luiz Carlos Saroldi, em um programa especial para a Rádio Jornal do Brasil, apresentou dois sambas ainda inéditos: "As Rosas Não Falam" e "O Mundo é um Moinho".

Ainda naquele ano, o sambista participou do programa radiofônico "MPB - 100 ao vivo" - os programas foram editados em oito LPs com o mesmo título e em um dos álbuns ocupou todo um lado, deferência só concedida a dois outros convidados, Luiz Gonzaga e Paulinho da Viola - e se apresentou no bairro carioca de Botafogo, em que atuou ao lado da cantora Rosana Tapajós e do flautista Altamiro Carrilho. Gal Costa regravou "Acontece".

Logo depois, em 1976, a mesma gravadora lançou o segundo LP, também intitulado Cartola. O sucesso do álbum foi puxado por uma de suas mais famosas criações, "As Rosas Não Falam", incluída na trilha sonora de uma novela da Rede Globo.

Ainda em seu segundo disco, Cartola interpretou suas composições "Minha", "Sala de Recepção", "Aconteceu", "Sei Chorar", "Cordas de Aço" e "Ensaboa". Gravou também as canções "Preciso me encontrar" (de Candeia), "Senhora tentação" (de Silas de Oliveira) e "Pranto de Poeta" (de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito. Também nesse ano, Clementina de Jesus gravou "Garças Pardas" (parceria com Zé da Zilda).

A grande popularidade obtida pelo samba levou Cartola a uma divulgação inédita de seu trabalho. Realizou seu primeiro show individual, no Teatro da Galeria, no bairro do Catete, acompanhado pelo Conjunto Galo Preto. O show foi um sucesso de público e se estendeu por quatro meses em várias partes do país.

Em 1977, o sambista dividiu com um novo parceiro, Roberto Nascimento, uma turnê por palcos do Sesc, no interior de São Paulo.

Em meio ao grande sucesso, Cartola voltou a desfilar pela Mangueira, após 28 anos de ausência no desfile de carnaval. O seu samba "Tive, Sim" foi defendido por Ciro Monteiro na I Bienal do Samba, promovida pela TV Record, e terminou classificado em quinto lugar no concurso.



Também foi convidado pela Prefeitura de Curitiba para integrar o juri do desfile das escolas de samba locais, onde, pela primeira e única vez julgou um desfile das escolas. Beth Carvalho gravou com sucesso "O mundo é um moinho".

Em junho de 1977, a Rede Globo apresentou o programa "Brasil Especial" número 19, dedicado exclusivamente a Cartola, e que obteve grande êxito. Em setembro daquele mesmo ano, o sambista participou (acompanhado por João Nogueira) do "Projeto Pixinguinha", no Rio de Janeiro,e depois em uma excursão pelas principais cidades brasileiras. O sucesso do espetáculo os levou a excursionar por São Paulo, Curitiba e Porto Alegre.

Ainda em 1977, em outubro, a gravadora RCA lançou "Verde que te quero rosa", seu terceiro disco-solo, com igual sucesso de crítica. Um dos grandes destaques do álbum foi "Autonomia", com arranjo do maestro Radamés Gnatalli.

Desse LP fazem parte o samba-canção "Autonomia", além de "Nós Dois" (composta especialmente para o casamento com Zica, em 1964). Recriou "Escurinha" (samba do mangueirense Geraldo Pereira, falecido em conseqüência de uma briga com "Madame Satã").

Estão presentes ainda os sambas "Desfigurado", "Grande Deus", "Que é feito de você" e "Desta vez eu vou" (todos de sua autoria), "Fita meus olhos" (com Osvaldo Vasques) e "A canção que chegou" (com Nuno Veloso).

Em 1978, quase aos 70 anos, se transferiu da Mangueira para uma casa em Jacarepaguá, buscando um pouco mais de tranqüilidade, na tentativa de continuar compondo, mas sempre voltava para visitar os amigos no morro onde crescera e se tornara famoso.

A residência de Cartola e Zica em Mangueira era muito frequentada por músicos e jornalistas, o que levou o casal a procurar um pouco de sossego. Era finalmente a primeira casa própria do artista, o máximo que ele conseguiu com o sucesso obtido no final da vida. Em frente à sua porta, foi inaugurada em seguida uma praça apropriadamente batizada de As Rosas Não Falam.

Naquele mesmo ano, estreou seu segundo show individual: "Acontece", outro sucesso. E em novembro, por ocasião de seu septuagésimo aniversário, recebeu uma grande homenagem na quadra da Mangueira. O sambista, no entanto, já estava doente. Diagnosticado seu mal, câncer na tireóide, foi operado em 1978.

Ainda naquele ano, o sambista gravou com Eliana Pittman o samba "Meu amigo Cartola" (de Roberto Nascimento) e, com Odete Amaral o samba "Tempos Idos" (parceria com Carlos Cachaça). Valdir Azevedo, João Maria de Abreu, Joel Nascimento e Fagner regravaram "As rosas não falam". Elizeth Cardoso regravou "Acontece" e Odete Amaral, "Alvorada". Durante a apresentação no Ópera Cabaré, em São Paulo, no mês de dezembro, o concerto foi gravado ao vivo, por iniciativa de J.C. Botezelli (responsável pelo primeiro disco de Cartola). Esse registro ao vivo só sairia em LP após a morte do compositor.

Em 1979, foi lançado Cartola – 70 anos, seu quarto LP no qual interpretou seus sambas "Feriado na roça", "Fim de estrada", "Enquanto Deus consentir", "Dê-me graças, senhora", "Evite meu amor", "Bem feito" e "Ao amanhecer", além de "O inverno do meu tempo" e "A cor da esperança" (parcerias com Roberto Nascimento), "Ciência e arte" e "Silêncio de um cipreste" (com Carlos Cachaça), "Senões" (com Nuno Veloso) e "Mesma estória" (com Élton Medeiros).



Ainda naquele ano, Nelson Gonçalves e Emílio Santiago regravaram "As rosas não falam". Em fins de 1979, Cartola participou de um programa na Rádio Eldorado, da cidade de São Paulo, no qual contou um pouco de sua vida e cantou músicas que andava fazendo. Essa entrevista foi posteriormente lançada em LP, na década de 1980, com o nome "Cartola - Documento Inédito".

Em 1980, a cantora Beth Carvalho regravou "As rosas não falam" e "Consideração" (parceria com Heitor dos Prazeres. Com Nelson Cavaquinho, compôs apenas "Devia ser condenada", gravada pelo parceiro na década de 1980.

A carreira de Cartola não iria longe. Cartola sabia que sua doença era grave mas manteve segredo sobre ela todo o tempo. Para todos dizia que tinha uma úlcera.

Quando for enterrado, quero que Waldemiro toque o bumbo. ” — Cartola, manifestando a sua família um desejo uma semana antes de sua morte, Almanaque da Folha.

Três dias antes de morrer, recebeu de Carlos Drummond de Andrade sua última homenagem em vida. O poeta lhe dedicou uma comovente crônica, publicada pelo Jornal do Brasil.

Cartola morreu de câncer em 30 de novembro de 1980, aos 72 anos de idade. O corpo foi velado na quadra da Estação Primeira de Mangueira, onde por lá passaram as mais diversas presenças do mundo da música; Clara Nunes, Alcione, Emilio Santiago, Chico Buarque, João Nogueira, Dona Ivone Lara, Nelson Sargento, Jamelão, Roberto Ribeiro, Clementina de Jesus, Martinho da Vila, Gal Costa, Simone, Elizeth Cardoso, Paulo Cesar Pinheiro, Beth Carvalho, Paulinho da Viola, Gonzaguinha, entre muitos outros. Seu corpo foi sepultado no Cemitério do Caju. Dona Zica viu o corpo do seu grande amor pela última vez, abraçada com Clara Nunes, que era amiga e uma das "queridinhas" do poeta.

Atendendo a seu pedido, no dia 1º de dezembro, data de seu funeral, Waldemiro, ritmista da Mangueira, que havia aprendido com ele a encourar seu instrumento, marcou o ritmo para o coro de "As Rosas Não Falam", cantada por uma pequena multidão de sambistas, amigos, políticos e intelectuais, presentes em sua despedida. Em seu caixão a bandeira do time do seu coração, o Fluminense.



Durante os anos seguintes, viriam homenagens póstumas, discos e biografias que o confirmariam como um dos maiores nomes da música popular brasileira.

Em 1981, Artur Oliveira concluiria o samba "Vem", que Cartola deixara inacabado, e seu livro escrito juntamente com Marília Trindade Barboza, a biografia "Cartola, Os Tempos Idos" seria lançado pela Funarte, em 1983. Ainda em 1982, foi lançado um disco póstumo do sambista, "Ao Vivo" – gravação de um espetáculo realizado no final de 1978, em São Paulo. Em 1984, também pela Funarte, sairia o LP "Cartola, Entre Amigos".

Em 1988, para comemorar o octagésimo aniversário de seu nascimento, a gravadora Som Livre lançou o songbook "Cartola – Bate Outra Vez...", que trazia Caetano Veloso, Gal Costa, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Luiz Melodia, Dona Ivone Lara, Beth Carvalho, Nelson Gonçalves, Paulo Ricardo e Cazuza. E a cantora Leny Andrade apareceu com "Cartola – 80 Anos". Marisa Monte viria a incluir em seu repertório o lundu "Ensaboa", composto em 1975 e gravado pelo compositor em seu segundo LP.

A cantora Claudia Telles (filha de Sylvia Telles, um dos ícones da Bossa Nova) lança em 1995 um álbum-tributo composições de Cartola e Nelson Cavaquinho.

Em 1998, Elton Medeiros e Nelson Sargento gravaram o álbum "Só Cartola". Medeiros também se apresentou com a cantora Márciano espetáculo "Cartola 90 anos", que resultou em um álbum lançado pelo SESC de São Paulo. Naquele mesmo ano, o grupo Arranco (ex-Arranco de Varsóvia) lançou o álbum "Samba de Cartola".

Em 2001, a RCA relançou em CD o disco "Verde que te quero rosa". Naquele mesmo ano, foi fundado o Centro Cultural Cartola tendo por base a obra do compositor.

Em 2002, o cantor Ney Matogrosso lançou o álbum "Cartola", com repertório todo dedicado ao compositor da Mangueira.

Em 2003, a neta de Cartola descobriu uma pasta vários letras inéditas que teriam de ser musicadas. Ainda naquele ano, Beth Carvalho lançou o álbum "Beth Carvalho canta Cartola".

Em 2004, o espetáculo "Obrigado Cartola", de Sandra Louzada, com direção de Vicente Maiolino, estreou no Centro Cultural Banco do Brasil. O musical contavao a vida do compositor e apresentando sambas clássicos. Naquele mesmo ano, foi lançado pela Editora Moderna o livro "Cartola", de Monica Ramalho.

Em 2007, foi lançado o filme "Cartola - Música para os Olhos", com direção de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda.

Em 2008, esquecido no ano de seu centenário pela Estação Primeira de Mangueira que ajudou a fundar, foi, no entanto homenageado pela Paraíso do Tuiuti com o enredo "Cartola, teu cenário é uma beleza" que ajudou a escola de São Cristóvão a subir para o grupo de Acesso A. Dentro das comemorações pelo seu centenário, foi lançado pelo selo Biscoito Fino "Viva Cartola - 100 anos", que incluiu gravações lançadas em outros discos e que continha uma única faixa inédita, "Basta de Clamares Inocência" - gravada por Martinália. "Pranto de Poeta" – BMG



FONTE

Wikipédia

Daniel Bueno


Daniel Bueno (Carnaíba, 8 de abril de 1960) é um cantor brasileiro e compositor de forró pé-de-serra, gênero típico do Nordeste, é também pesquisador de música brasileira. Até 2008, ele compôs cerca de 80 músicas.


Na infância Daniel costumava ouvir toadas, xotes e baiões de Luiz Gonzaga, identificando-se com as mensagens e lamentos telúricos do Rei do Baião, como: Vozes da Seca e A Triste Partida. Foi também quando se tornou fã do Trio Nordestino, Jacinto Silva e Marinês.

No sítio do avô, seu Badu, Daniel ivenciou o cotidiano rural, como: cortar palma para o gado, catar algodão, debulhar milho e feijão, tanger gado, fazer ordenha, conduzir carro de boi, rezar novenas, plantar e semear...

Aos 11 anos, Daniel mudou-se para Afogados da Ingazeira, cidade vizinha de Carnaíba, onde completou o ensino médio. Aos 15 anos, Daniel começou a trabalhar como repórter e produtor na Rádio Pajeú de Afogados da Ingazeira. Nessa época, já compunha músicas e tocava violão.



Aos 24 anos venceu o Festival Pernambucano de Música com "Canção para Dom Hélder", gravada em seu primeiro LP. Daniel ainda participou como crooner do grupo de serestas Unidos da Saudade e da Banda Rutilante.


Em 1987, Daniel Bueno mudou-se para o Recife. Três anos depois, ainda na capital, Daniel gravou seu primeiro disco só com músicas de sua autoria, destacando-se, com seu primeiro hit “Preciso tanto desse amor”.


O segundo LP emplacou o sucesso “Planeta Sedução”, de Nando Cordel.

Em 1995 lançou as músicas “Volta pra mim” e “Estou começando a chorar”, esta última de autoria do Rei Roberto Carlos.
BENITO DI PAULA E DANIEL BUENO

E NÃO VOU DEIXAR VOCÊ TÃO SÓ

O quarto disco veio em 1997, quando cantou ao lado de Agnaldo Timóteo a música “Se eu pudesse conversar com Deus”,

Em seguida, gravou alguns CDs com participação especial de Ângela Maria, Cauby Peixoto, Marinês, Benito Di Paula, Núbia Lafayette e outros nomes importantes da Música Popular. Mais de uma década depois que deixou o interior, Daniel resolveu mergulhar definitivamente em suas raízes. Passou a compor xotes e baiões para marcar as imagens, cenários e experiências vividas durante a infância no Sítio Oitizeiro em sua terra natal.


Daniel Bueno ganhou destaque como intérprete e compositor do forró pé-de-serra. Seus maiores sucessos, nesse gênero, são: "Na fazenda de vovô" (gravada por Alcymar Monteiro), "Filho do morador", "Xote natalino" e "O filme", este último o maior sucesso das festas juninas de 2005.

Na Fazenda de Vovô

Em 2006, adaptou para o xote um sucesso de Gilberto Gil, “Não chore mais”, que tocou bastante nas emissoras de rádio do Nordeste.


Em 2007, Daniel Bueno se destacou como compositor, escrevendo as 17 faixas do CD Forró 4. Com esse trabalho autoral, Bueno se firma como cronista rural, bem no estilo Zé Dantas, seu conterrâneo. Isso fica bem claro em composições como "As coisas que deixei ali" e "As lembranças do meu pai". Outro destaque é a preocupação de Daniel com o aquecimento global na faixa "Lamento Ecológico". O maior sucesso do CD, porém, foi a faixa "O dossiê", crônica de um amor mal-sucedido.

O disco de 2008, Forró 5, traz sucessos eternos de Luiz Gonzaga, e autorais, como "Sinuca de Bico". Mas a faixa de maior repercussão é "Minha Saudade", autoria de Geraldo Freire.


No álbum Forro 5 (2008) eu faço um destaque para a música Uma Prece Para o Homem sem Deus, de Gordurinha. No álbum a música vem com o nome "Prece Para Um Homem Sem Deus".

Em 2009, Bueno reapareceu com um trabalho cuja temática, “O retirante”, foi título do CD e da faixa de maior destaque, além de Minha casa, Moleque de recado, dentre outras. Bueno ensaia para a gravação de um DVD com a seleção de seus principais sucessos e homenagem à obra de Zé Dantas e Luiz Gonzaga.

Cantor, compositor e produtor, além de escritor-pesquisador por diversão, Daniel Bueno conversou com a revista O Piruá sobre suas paixões, planos e histórias da sua infância em Carnaíba, alto sertão do Estado...




FONTE

Wikipédia

Blog do Bueno

quarta-feira, 30 de março de 2011

Nino de Braçanã e o Trio Paranoá


Gostei do humor de Nino de Braçanã e o Trio Paranoá... em especial a música "Foguete Baiano". Sem brincadeira o ritmo e a melodia me lembraram bastante uma música do Tchan! (grupo musical brasileiro de Pagode baiano, que se tornou muito popular na segunda metade da década de 1990).



Foguete Baiano, gravado em 1968, traz Nino de Braçanã, cantor nordestino, que morou em Brasília, acompanhado Trio Paranoá. Diz a lenda que eles se conheceram em um parque de diversões...



O Trio Paranoá (Paranoá - bairro de Brasília -DF) de reconhecida importância para o forró candango, ao que parece, foi o primeiro trio da capital. Nino e o Trio Paranoá trabalharam na Rádio Nacional de Brasília, tocando e apresentando o programa Brasília canta para o Brasil (nome do outro disco gravado pelo Trio Paranoá).

O disco Foguete Baiano mostra que o forró em Brasília começou muito bem... Tem até uma música em homenagem à Cidade Livre, chamada Cidade Mãe (faixa 4 do lado B): Bandeirante, cidade pioneira / De Brasília, é a primeira / Cidade mãe da construção / É o orgulho da nossa nação / Quando a história se escrever / Cidade Livre será museu / Pra nossos filhos ver / Foi ali que Brasília nasceu.

A Cidade Livre foi criada antes da construção de Brasília, como parte das obras de infra-estrutura necessárias à construção de Brasília. A Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) abriu, no fim de 1956, as principais avenidas do Núcleo Bandeirante, mais tarde conhecido como Cidade Livre... Mas como não havia habitações para todos os migrantes, a Cidade Livre sofreu invasões, e, em 1960, tinha 12.000 habitantes. Eram, principalmente, os pioneiros candangos que trabalhavam na construção da cidade; e, portanto, em sua maioria nordestinos.

Eles trouxeram, junto com a força de trabalho, o conhecimento da música nordestina e o gosto pela sua cultura. Por isso, a Cidade Livre é o berço do forró candango, local onde se formaram e se apresentaram os primeiros grupos, uma história que sem dúvida, merece ser estudada e contada em mais detalhes.

No disco Foguete Baiano Nino de Braçanã, que nasceu em Monteiro, aparece tocando acompanhado de seu Trio Paranoá. O Trio Paranoá é um trio onde os integrantes se conheceram num parque de diversão em Brasilia. O disco foi produzido por Venâncio (da dupla Venâncio e Curumbá), produtor, compositor e cantor. De Venâncio são sucessos, como: “Mata sete” e “Último pau de arara”.

O lado A traz uma curiosidade a música "A Volta do Mata Sete", Xotis de Fernando Silva-Cosme do Amaral.  “A volta do mata sete”, relembra o enredo da música ‘Mata Sete’, composição de Zito Borborema, interpretada por Anastácia e outros artistas. O interessante é que para música "Mata Sete" já havia  a música-resposta: “A resposta do mata sete”, de Antonio Barros, gravada por Genival Lacerda.

Mata Sete
Composição: Zito Borborema

Os moradores do engenho Mané Pedro
Quase que morrem de medo
Quando ouviu falar
Que um tal de Mata Sete fugiu da cadeia
A coisa tava feia naquele lugar

Foram chamar o Simeão
Inspetor de quarteirão
Bicho macho pra brigar
Aí fizeram uma tocaia pra pegar
O Mata Sete se viesse no engenho perturbar
Aí fizeram uma tocaia pra pegar
O Mata Sete se viesse no engenho perturbar

Mas o negócio é que o Mata Sete
Era de jogar confete,
De fritar bolinho
Falava mansinho
Não era de nada
Fugia da parada
Até com um sozinho

O inspetor correu forte pra o engenho
Com todo seu empenho
Pra Mata Sete pegar
O Mata Sete quando viu o inspetor
Falou fino, suspirou e
Desapareceu de lá

"A resposta do mata sete”
de Antonio Barros

Cabra da peste você tenha mais cuidado
Quando abrir a boca pra falar demais
Sou o mata sete na peixeira sou ligeiro
Vim pro Rio de Janeiro pra tira-lo de cartaz

Pode falar com seu Simeão
Que é metido a valentão
pra matar sete e pegar
Pode ajuntar o Engenho Mané Pedro
Que não tenho medo
To disposto pra brigar

Você diz que eu não sou de nada
Que sou de jogar confete e de fritar bolinho
Agora vai dizer que o negoócio não tá bom
Vai mudar de tom e vai falar fininho
Depois eu vou pro Engenho Mané Pedro
Que não tenho medo e vou brigar sozinho

No lado B além do baião, marcha, xotis, côco, arrasta-pé... também está presente o rojão, ou seja a música “Uma prece para os homens sem Deus”, linda música de Gordurinha.
Nino e Trio Paranoá - Prece Para Homens Sem Deus (Gordurinha)



Lado 1

  • 1- Foguete Baiano – Rojão (Aurino Santana da Silva )

  • 2- Sombra do cajueiro – Côco (Nino de Braçanã – Antônio Bispo)
  • 3- A volta do mata-sete – Xotis (Fernando Silva-Cosme do Amaral)
  • 4- Saudades de Belém-Rojão (Fernando Silva )

  • 5- Mariazinha – Côco (Paulo Gitirana-Josilima-Pechincha)
  • 6- Terreiro de fulô – Arrasta-pé (Paulo Gitirana-Josilima)
Lado 2

  • 1- Zé modesto – Baião (Miudinho)
  • 2- Progresso da Bahia – Côco (Raimundo Dantas)
  • 3- Noite de São João – Marcha (Bruno Linhares)
  • 4- Cidade mãe – Samba (Vira-vira/Antônio Soares)
  • 5- Uma prece para os homens sem Deus – Rojão (Gordurinha)
  • 6- Pagode alagoano – Pagode (Januário-Venâncio)

FONTE

Acervo Origens