domingo, 27 de fevereiro de 2011

Zé Barbeiro


Hoje, 27 de fevereiro de 2011 (Domingo) em sua apresentação no Projeto Itaú Rumos 2011, Zé Barbeiro grava seu novo trabalho "No Salão do Barbeiro". O Projeto que sairá em áudio ao Vivo consiste na gravação de um SMD e a disponibilização de faixas para donwload pela internet, através de um site exclusivo do projeto que terá lançamento nacional em agosto de 2011 com apoio do PROAC da Secretaria de Estado da Cultura.

Zé Barbeiro: representante de uma linhagem de verdadeiros monstros do violão como Dino 7 Cordas, Raphael Rabello e Luizinho 7 Cordas, acumula 160 composições e diz que pretende "gravar todas"...



O poder da música já fez com que várias pessoas abandonassem (futuras) carreiras em outras áreas. Chico Buarque largou a arquitetura; João Bosco, a engenharia; Edu Lobo, o direito; Guinga, a odontologia; Noel Rosa, a medicina.

Embora nunca tenha pensado em enveredar por caminhos acadêmicos - mesmo sob forte pressão do pai -, em 1995 o alagoano José Augusto Roberto da Silva deixou de vez seu ofício primeiro, a barbearia, para se dedicar exclusivamente ao ritmo, às melodias, harmonias, contrapontos e "baixarias" de seu violão de sete cordas, mas manteve as origens no apelido.

A decisão por seguir a carreira estimulada desde os 3 anos de idade, quando já frequentava a barbearia, não o afastou da música. Nascido em 1952 em São José do Campos, Alagoas, radicou-se com a família, ainda menino em Carapicuíba, onde logo aprendeu com o pai a profissão de barbeiro. Foi ali mesmo que influenciado pela força da jovem guarda, descobriu o violão, e entre um corte de cabelo e outro, aprendia sozinho ou com os músicos que ali passavam, a tocar este instrumento.

Na década de 1960, a habilidade com a guitarra o levou a interpretar compositores da Jovem Guarda, mas uma década depois, lá estava ele no universo do choro, levado por Milton da Silva, na época frequentador do salão. Sem condições de frequentar um conservatório, sempre foi autodidata em música.



Segura a Bucha

Em seu primeiro CD autoral, "Segura a Bucha!", o violonista e compositor José Augusto Roberto da Silva, conhecido nas rodas de choro paulistanas e no meio instrumental brasileiro pela alcunha de Zé Barbeiro, propõe um novo parâmetro de composição e harmonização para o choro, gênero secular brasileiro de importância similar ao que o jazz representa para a música popular norte-americana.

Vencedor do Projeto Pixinguinha na categoria produção em 2008, o qual viabilizou o lançamento deste CD, Zé Barbeiro registrou uma seleção de 14 choros - dentre seus mais de cem compostos até hoje - enfatizando, por meio de sua inventividade e irreverência musicais, uma mescla entre a mordenidade e os formatos tradicionais de andamentos do choro.

Estas características são comprovadas ao se ouvir a ritmada polca "Chuva em Floripa" ou o pontuado maxixe "Bafo de Bode" (parceria com o violonista Alessandro Penezzi), que apresentam coesão sonora quando juntados à imprevisibilidade, virtuosismo e desconstrução rítmica no choro com pegada de samba "De trás pra Frente".

Desperta a atenção também as opções incomuns do Zé Barbeiro compositor, como a ascensão das baixarias de seu violão à condição de solista que dita a frase inicial da melodia da intrincada peça "Clarinetista Enchendo o Sax", assim como a audição de um violão seresteiro na melódica peça para violão solo "Minha Primeira Vez", evocando o lirismo sertanejo do mestre João Pernambuco nos dias atuais.



Chorão - assim são conhecidos os músicos do choro - de rara estirpe, Zé Barbeiro carrega em suas baixarias e bordões das notas graves de seu violão sete cordas uma autêntica escola de vida e um aprendizado de anos de convívio informal com músicos de diversos perfis.
 
No Salão do Barbeiro
 
Contemplado pelo edital do Rumos Música Itaú Cultural, Zé Barbeiro grava hoje em São Paulo, ao vivo, seu segundo disco solo, lançado em agosto de 2011, intitulado "No Salão do Barbeiro".

No palco, ele estará rodeado de Alexandre Ribeiro (clarinete), Rodrigo Y Castro (flauta), Fabrício Rossil (cavaquinho) e Léo Rodrigues (pandeiro), mesma trupe que já o havia acompanhado em "Segura a Bucha", primoroso álbum de estreia, viabilizado em 2009 pelo Projeto Pixinguinha, da Funarte.

Se o disco anterior já combinava diversos gêneros com um instrumental competente para as melodias venenosas e as harmonias malucas - no melhor sentido dos termos - de Zé Barbeiro, sendo capaz de levantar qualquer um das cadeiras, é de se imaginar o que vem neste próximo trabalho, já que o compositor e violonista promete algo "mais dançante".

"Serão músicas ligeiras, principalmente choro, mas também teremos gafieira, xote, baião, frevo, maxixe", disse Zé Barbeiro. Não à toa, inspirado na brincadeira do título do disco em referência também aos salões de gafieira, o show de domingo terá no palco a presença de casais de bailarinos.



Assim como em "Segura a Bucha", que trazia temas de Zé Barbeiro com nomes bem-humorados, como "Clarinetista Enchendo o Sax", "Chorâmbulo" e "Bafo de Bode" (esta última em parceria com o craque Alessandro Penezzi), os títulos de "No Salão do Barbeiro" mantêm a mesma pegada de brincadeira, como "Sessedentário", "Trinca Ferro" e "Koolongo".

Projeto “No Salão do Barbeiro”

Em sua apresentação no Projeto Itaú Rumos 2011, dia 27 de fevereiro de 2011 (Domingo), Zé Barbeiro lança o seu novo trabalho que sairá em áudio ao Vivo através do projeto “ No Salão do Barbeiro”, que consiste na gravação de um SMD e a disponibilização de faixas para donwload pela internet, através de um site exclusivo do projeto que terá lançamento nacional em agosto de 2011 com apoio do PROAC da Secretaria de Estado da Cultura.

Contexto e Conceitos do Projeto. O projeto “No Salão do Barbeiro” pretende mostrar as novas tendências do choro contemporâneo de São Paulo, reunindo jovens instrumentistas entorno de um repertório inédito de um veterano chorão da cena da música paulista.

Zé Barbeiro em sua obra concilia o tradicional e o moderno em uma linguagem alegre, desafiadora, propondo um modo particular de choro, com uma rítmica arrojada e inovadora que apontam novos horizontes para a renovação do gênero.

A ideia de reaproximar o choro da dança vem da vontade de promover um resgate as origens do choro, através de um novo diálogo com a o público que pratica dança de salão, com o propósito de abrir outros caminhos de circulação de shows para difundir a produção contemporânea do choro.

Hoje com 59 anos, Zé Barbeiro tem cerca de 160 composições, fala sério sobre a intenção de ainda gravar todas e brinca dizendo achar que a vida não lhe dará tempo de chegar às 300. Habitué das rodas do Ó do Borogodó, onde se apresenta às terças-feiras, e do Bar do Cidão, às sextas, ambos na Vila Madalena, na capital paulista, Zé Barbeiro tem em sua matriz musical o choro, mas passeia com naturalidade por uma infinidade de estilos.

"O choro e o samba vêm em primeiro lugar, mas eu gosto de bolero, tango, música japonesa e italiana. As pessoas até me perguntam se, com toda essa estrada, eu não penso em dar aulas. Até penso, mas nunca vou largar o bar e a noite, na diversão que é tocar com os amigos", diz.


(Alessandro Penezzi e Zé Barbeiro se apresentam no projeto Combio de Cordas executando a obra de Lupérce Miranda - "Quando me lembro")

Representante de uma linhagem de verdadeiros monstros do violão como Dino 7 Cordas (1918-2006), Raphael Rabello (1962-1995) e Luizinho 7 Cordas, Zé Barbeiro se aventurou no instrumento - a contragosto do pai - nos anos 1960, ainda na barbearia do patriarca.

Em meio à efervescência do iê-iê-iê, aprendia os primeiros acordes tocando "O Calhambeque", de Roberto e Erasmo Carlos. "Todo mundo que ia à barbearia tocava, era simples e eu comecei a imitar os acordes. A música é fraca demais. Como o cara conseguiu ganhar tanto dinheiro com aquilo?", diz o músico fazendo o turrão, reconhecido no meio musical apenas como uma faceta do generoso e simples Zé Barbeiro.

"Apesar daquela cara séria, de poucos amigos (tipo!), é um dos músicos mais agradáveis com quem já trabalhei. Cobrão nas harmonias e na execução de seu instrumento, tem um ouvido privilegiado, captando tudo, ‘de prima’. E além disso, é um grande contador de casos - talento cada vez mais raro entre virtuoses do violão", diz Nei Lopes.

O sambista é apenas um dos grandes com quem Zé Barbeiro teve o privilégio de dividir os palcos. Autodidata e intuitivo, estimulado por João Macacão, comprou seu primeiro sete cordas e começou a ganhar festivais com seus temas na década de 1970.

De lá pra cá, segue sendo praticamente um anônimo para o público, mesmo tendo tocado com Sílvio Caldas, Elizeth Cardoso, Altamiro Carrilho, Zeca Pagodinho, Nei Lopes, Noite Ilustrada, Dona Inah, Batatinha, entre outros. Nomes apenas comprobatórios de que Zé Barbeiro, há tempos, deve figurar no panteão dos que tratam a música com toda a fineza que ela merece.



Seja na noite ou em estúdio, Barbeiro já tocou ao lado de Armadinho Macedo, com o qual se apresenta no show de encerramento do Encontro de Choro, Altamiro Carrilho, Elizete Cardoso, Silvio Caldas, Armandinho, Inezita Barroso, Ângela Maria, Ataufo Alves Junior, Jamelão, Nei Lopes, Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Carlos Poyares, Alessandro Penezzi, graduado pela Unicamp, entre outros.

Tradicional sete cordas do choro paulista, autodidata, Zé Barbeiro começou tocando guitarra na Jovem Guarda.

Em 1972 passou a dedicar-se ao samba e ao choro. Hoje, integra diversos grupos, entre os quais figuram o Grupo Nosso Choro e o Aleh Ferreira Regional.

Apresentou-se com a Banda Bananeira no Festival de Jazz de Vienne, França, em 1998.

Em 2002 participou da 15ª Feira Mundial do Livro em Guadalajara, México, ao lado do bandolinista Aleh Ferreira.

Gravou vários CDs: com o grupo Nosso Choro, com a pianista Rosária Gatti, com Paulo Vanzolini, com Luis Nassif, Dona Inah e outros.

Como compositor participou de diversos festivais, como o 1º Festival de Choro de Curitiba (abril/2004), onde obteve o segundo lugar.

Ganhou o prêmio de melhor instrumentista e melhor música instrumental no Fampop de Avaré (set/2004), e também se classificou no Festival Musicacanto de 2004, em Santa Rosa (RS).

Participou do Prêmio Visa 2004 acompanhando o bandolinista Danilo Brito, que ficou em primeiro lugar.

Em 2005 participou de turnê pela França e no Marrocos acompanhando a D. Inah, e do projeto Violões do Brasil ao lado de Alessandro Penezzi.

É herdeiro da tradição dos músicos babeiros do começo do século passado, também por isso figura como um dos melhores 7 cordas do Brasil.

Em 2008 ele recebeu o Prêmio Produção do Projeto Pixinguinha e em 2009 gravou o Segura a Bucha, seu primeiro CD., que no formato deste ano, contemplou os ganhadores com a gravação de um Cd e permitiu que este artista registrasse 14 de seus mais de cem choros.

Em maio de 2009 lançou em São Paulo, o Cd Segura a Bucha. A proposta foi produzir um diálogo entre o tradicional e o moderno, mantendo o lado tradicionalista do choro na instrumentação adotada, nos ritmos abordados e na forma da música.

O aspecto inovador está nas composições, com uma assinatura muito pessoal no desenvolvimento das melodias, com rítmicas inesperadas, harmonias pouco ortodoxas, explorando muitos acordes dissonantes e progressões não muito comuns no choro tradicional.

O Cd Segura a Bucha, marcou a trajetória do artista, mudando a perspectiva de sua carreira de intérprete para compositor. Acompanhado pelos músicos; Alexandre Ribeiro (clarinete), Rodrigo Y Castro (flauta), Fabrício Rosil (cavaquinho) e Leo Rodrigues (pandeiro), apresentará um repertório moderno de choros autorais ricos em balanço, contraponto e polifonia.

O violonista de 7 cordas e compositor do grupo Choro Rasgado, neste trabalho solo, mostra seu estilo “brincalhão”, propondo em cada composição um desafio de agilidade, sonoridade e ritmo.


FONTE

Maringa ODiario
musicauol

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