sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Homenagens a Gordurinha

  • USP FM - 93,7 (SP): Especial sobre o cantor Gordurinha

Conforme me informou o Waldeck Luiz Macedo de Souza, neto do Gordurinha, o Laert Sarrumor, do grupo Língua de Trapo e apresentador e produtor do programa "Rádio Matraca", na Rádio USP FM, em São Paulo, e o Ayrton Mugnaini Jr fizeram um programa especial de uma hora sobre o Gordurinha, que irá ao ar neste sábado, 28 de agosto/2010, das 17h às 18h pela USP FM - 93,7, em São Paulo. Mas pode ser ouvido pelo site

O programa pode ser ouvido nesse link:

Gordurinha também foi tema da "Dica do Sarrumor", comentário que o Sarrumor faz às sextas-feiras, dentro do programa "Via Sampa", que vai ao ar das 11h às 12h, pela Rádio USP, e também pode ser ouvido pelo site

Ouvi o programa. Gostei do mini-documentário sobre GORDURINHA porque ele transmite aquele TOQUE de humor bem apropriado a vida e obra deste grande brasileiro. Vale ressaltar que entre os maiores sucessos do humorista, compositor e cantor Gordurinha, estão: "Chicletes com Banana", "Súplica Cearense", "Baiano Burro Nasce Morto", "Baiano Não É Palhaço", "Orora Analfabeta", "Mambo da Cantareira", "Súplica Cearense" e "Vendedor de Caranguejo".

Algumas de suas músicas foram regravadas (depois de sua morte) com grande êxito, como: "Chiclete com Banana", presente em "Expresso 2222", disco de Gilberto Gil, e "Vendedor de Caranguejo", também gravada por Gil no disco "Quanta".

PARABÉNS AOS IDEALIZADORES DESTA HOMENAGEM!
As súplicas e o bebop no samba de um satirista - por JOSÉ TELES

Gordurinha recebeu uma homenagem do governo do Estado da Bahia (através de sua Secretaria de Cultura), que reuniu parte de sua obra no CD A Confraria do Gordurinha. Além do próprio homenageado, em uma faixa, participam do disco os conterrâneos do grupo vocal Confraria da Bazófia, Marta Millani e Gilberto Gil (que atraiu atenção a Gordurinha ao incluir Vendedor de Caranguejo, no CD Quanta).

O disco traz 14 faixas, uma bem cuidada escolha de repertório, que mesclou músicas manjadas com outras quase obscuras. Estão no CD desde Baiano Burro Nasce Morto ("O pau que nasce torto, não tem jeito morre torto/ Baiano burro, garanto que nasce morto"), a Poema dos Cabelos Brancos ("Mamãe os seus olhos são claros, talvez de chorar tanto, tanto/ Quero beijar os seus cabelos, mamãe/ Quero enxugar o seu pranto").

  • HUMOR NA VEIA
Gordurinha foi um inovador, tanto nas melodias - seus forrós e cocos experimentavam harmonias pouco comuns ao gênero. As letras que escrevia tanto podiam ser simplesmente jocosas, quanto pungentes alertas para os desníveis sociais do país. Sua passagem pelo Recife, em 1951, inspirou-lhe a clássica Vendedor de Caranguejo ("Caranguejo çá / Caranguejo çá / Apanho ele na lama e boto no meu caçuá /Tem caranguejo, tem gordo guaimum/ Cada corda de dez eu dou mais um").

A sazonal bagunça pluviométrica que assola o Nordeste, onde ou não chove ou chove em demasia, recebeu dele duas canções antológicas. Umas são pouco conhecidas como: "Pedido a Padre Cícero", "Se Chovesse no Nordeste"; outra é bem conhecida como: Súplica Cearense ("Oh, Deus perdoe esse pobre coitado/ Que de joelhos rezou um bocado/ Pedindo pra chuva cair sem parar").

Sua veia engraçada soltava-se em músicas como: "Orora Analfabeta" ("Eu arranjei uma dona lá em Cascadura/ Que boa criatura, mas não sabe ler/ Nem escrever... Ela fala aribu, arioprano e motocicreta/ Diz que adora feijoada compreta/ Ela é errada demais!/ Vi uma letra O bordada na blusa dela/Eu disse é agora/Perguntei seu nome/ela disse: - Orora"; e  "Meu Amigo Oliveira" (Meu amigo Oliveira/ é uma fábrica de asneira/ quando abre a boca/ ou entra mosca, ou sai besteira/ Ele disse que comprou uma vitrola/ De alta "finalidade"/ com som "esferográfico"). Mais que um compositor de músicas nordestinas, Gordurinha era um cronista de sua época, e não se enquadrava em regionalismos.

Entre os autores baianos, ele é o próprio antinarciso. Nada do elogio puro e simples das tão decantadas maravilhas soterpolitanas. "Um baiano é uma boa pedida/ Dois baianos é uma coisa divertida/Três baianos é uma conversa comprida/ Quatro baianos é um discurso na avenida", canta ele em Baianada.

Sua Bahia estende-se aos demais estados nordestinos. Ele faz a defesa dos migrantes contra a discriminação dos sulistas em "Baiano não é palhaço" ("Até parece que estou num outro país/ Vê que piada infeliz inventaram agora/ Ajude a manter a cidade limpa/ Matando um baiano por hora").

  • O Problema é Seu:
De vida sentimental atribulada, Gordurinha faz uma rara incursão pelo romantismo (amargo, frise-se) em O problema é seu ("Se a saudade apertar/O problema é seu/ Eu já fiz tudo pra evitar/ Um rompimento entre nós dois"). Curiosamente este samba tem semelhanças com Mancada, uma das primeiras composições de Gilberto Gil, intéprete de O problema é seu, neste disco.

  • CURIOSIDADE:
"Lembro-me de que certa vez estava na casa do Luiz Gonzaga, na Ilha do Governador – lá por 1969, – quando entrou Gordurinha, muito pálido, arfante, olhos levemente esbugalhados. Gonzaga suspirou fundo ao ver o amigo naquele estado e me disse: “Esse cabra aqui me faz inveja duas vezes. A primeira, ter escrito a “Súplica cearense”, que eu adoraria ter assinado.” E, baixando a voz, para evitar ser ouvido pela mulher Helena: “A segunda coisa que eu não tive coragem de fazer e que esse cabra fez foi sair pra tomar um café, dizer à mulher que voltaria em instantes e só ter regressado há pouquinho tempo, três anos depois.”


  • "Oróra Analfabeta", de Gordurinha no Filme: Minervina vem aí
A música "Oróra Analfabeta", de Gordurinha e Nascimento Gomes, interpretado por Jorge Veiga integrou os números musicais do filme "Minervina Vem Aí" (1959), de Eurides Ramos e Victor Lima, baseado na peça teatral "O poder das massas", de Armando Gonzaga.

ORORA ANALFABETA
(Gordurinha / Nascimento Gomes)

Eu arrumei uma dona boa lá em Cascadura
Que boa criatura, mas não sabe ler
E nem tão pouco escrever
Ela é bonitona, bem feita de corpo
É cheia da nota
Mas escreve gato com "j"
E escreve saudade com "c"
Ela disse outro dia que estava doente
Sofrendo do "estrombo"
Levei um tombo... Cai durinho pra trás
Isso assim já e demais!

Ela fala "aribu", "arioprano", "motocicreta".
Diz que adora feijoada "compreta".
Ela é errada demais!
Viu uma letra "O" bordada na blusa
Eu disse é agora
Perguntei seu nome ela disse "Orora"
E sou filha do "Arineu"
Mas o azar é todo meu...

MINERVINA VEM AÍ! - 1959 - Brasil / Rio de Janeiro - 93 minutos - Comédia - Preto e branco - Direção: Eurides Ramos. Companhia produtora: Cinelândia Filmes / Cinedistri. Companhia distribuidora: Unida Filmes / Cinedistri. Produção: Oswaldo Massaini - Produtor associado: Alípio Ramos e Eurides Ramos - Diretor geral de produção: Alípio Ramos - Assistente de produção: João Macedo - Roteiro e argumento: Eurides Ramos e Victor Lima, a partir da peça teatral "O poder das massas", de Armando Gonzaga - Fotografia e montagem: Hélio Barrozo Netto - Câmera: Antônio Gonçalves - Cenografia: Benedito Macedo - Assistente de cenografia: Wilson Monteiro - Sonografia: Antônio Smith Gomes -Coreografia: Helba Nogueira - Música: Alexandre Gnatalli - Anotadora: Arlete Lester - Estúdios: Atlântida Cinematográfica.
  • Números musicais:
*"Deusa do asfalto" (Adelino Moreira), com Nelson Gonçalves;
*"Adeus, América" (Haroldo Barbosa e Geraldo Jacques), com o Trio Irakitan;
*"Apito no samba" (Luiz Bandeira - Luiz Antônio), com o Trio Irakitan;
*"Chá-chá-baby" (Luiz Rico), com orquestra.
*"Oróra analfabeta" (Waldeck Arthur de Macedo (Gordurinha) e Nascimento Gomes), com Jorge Veiga.



Intérpretes: Dercy Gonçalves (Minervina), Magalhães Graça (Pereira), Zezé Macedo (dona Melita), Norma Blum (Nini), Humberto Catalano (Demócrito), Cataldo (doutor Barbosa), Luiz Carlos (Alberto), Rosa Sandrini (Francisca-cozinheira), Cézar Viola (juiz de paz), Wilson Grey (senhor Pimenta), Grijó Sobrinho (Horácio), Carlos Costa (Gentil Paz), Armando Ferreira (Gonçalves-padeiro), Pedro Farah (marinheiro americano), Evelyn Rio (Aurora), Josué Morais (escrivão), Nelson Gonçalves, Trio Irakitan, Jorge Veiga

Sinopse: A empregada de uma família nobre decadente cai nas graças de um homem simples mas rico. Por equívoco, pensa-se que a paixão desse homem rico é pela sobrinha da velha senhora nobre. Depois de muitas confusões, ele se casa com Minervina, a empregada, que se torna milionária enquanto seus ex-patrões entram em total decadência.

"Minervina vem Aí" (parte)


  • "Súplica Cearense" faz parte do filme e CD Os Trapalhões na Serra Pelada


A música "Súplica Cearense", de Gordurinha e Nelinho, faz parte do filme e CD Os Trapalhões na Serra Pelada, de 1982. Filme de gênero comédia infantil, dirigido pelo cineasta J. B. Tanko é estrelado pela trupe humoristica Os Trapalhões.

Sinopse

Os amigos Curió, Boroca, Mexelete e Bateia aventuram-se em busca de ouro no garimpo de Serra Pelada. A região é controlada pelo estrangeiro Von Bermann, cujas ordens são executadas pelo capanga Bira. Sedento por poder, o gringo contrabandeia o ouro e deseja apoderar-se das terras do brasileiro Ribamar, que se recusa a fazer negócio antes da chegada do filho Chicão.

Curiosidades

Os Trapalhões na Serra Pelada teve locação em Serra Pelada e no Sítio do Capim Melado, no Rio de Janeiro. O filme foi comercializado para Moçambique e Angola em 1983. Teve bilheteria de cinco milhões de espectadores na época de seu lançamento, sendo que até hoje permanece como o oitavo filme de maior bilheteria da história do cinema brasileiro.

FONTE


LP Os Trapalhões na Serra Pelada
Os Trapalhões - 1982 - Os Trapalhões na Serra Pelada
Som Livre - 403.6269

01. Cavaleiro Alado (Renato Aragão - Paulinho Tapajós)
02. Procurei Tereza (Renato Aragão)
03. Perdi Minha Nega num Forró (Renato Aragão)
04. Folha Seca (Renato Aragão - Sivuca) instrumental
05. Cavaleiro Alado (Renato Aragão - Paulinho Tapajós) instrumental
06. Forroteca - Prece ao Vento (Gilvan Chaves - Alcyr Pires Vermelho - Fernando Luiz) - Suplica Cearense (Gordurinha - Nelinho) - Ultimo Pau-de-Arara (Venâncio - Corumbá - José Guimarães)
07. Rapaz Alegre (Renato Aragão - Luiz de França Guilherme de Queiroz)
08. Trem das Onze (Adoniran Barbosa)
09. Mentiroso (Renato Aragão - Sergio Sá)
10. Embolando na Serra (Bráulio Fernando Tavares Neto - Oswaldo Lenine Macedo Pimentel)
  • GORDURINHA E A TROUPE JOVAL RIOS E SEUS ARTISTAS


"Foi sob a lona colorida, pulando de cidade em cidade,
que ele (Gordurinha) adquiriu sua natureza mambembe,
traço de uma personalidade nômade.
Da experiência circense levou consigo
a capacidade de entreter o respeitável público por horas
e a trabalhar o humor como válvula da arte,
cunhando bordões e expressões
que deixariam marcas indeléveis
no simbolismo popular."
(Júnior, Jairo Costa -
Gordurinha -Waldeck Artur de Macedo
- Integra o Filé da Casta de Cronistas Nordestinos"
- Correio da Bahia, 15/02/2004)

Joval Rios nasceu em Ilhéus (BA), no dia 22 de abril de 1919. Filho do comerciante de cereais Antonio Queiroz Pereira e Ermância Queiroz Pereira. Leda Rios – Durvalina Feitosa Pereira - nasceu em 11 de maio na Vila da Pedra (AL) . Filha de Luiz Feitosa de Alcântara e Maria Isabel de Alcântara. Ele desde criança teve vontade de conhecer o mundo, pessoas, lugares diferentes. Ela amava sua terra natal, mas como ele, queria conhecer o mundo.

Aos 14 anos, ele começou a trabalhar como operador do Cine Teatro Ilhéus, onde aprendeu a desenhar cartazes de filmes, habilidade que lhe valeria sua entrada no circo, pois, no ano de 1937, seguiu com o Circo Havaí como pintor de cartazes. Assim Joval começava a realizar seu grande sonho: correr mundo. E, correndo mundo, Joval se formou na escola do circo como trapezista e palhaço.

Em 1941, já com Circo J. Lima, chegou a Vila da Pedra (AL), e na sua primeira exibição no trapézio, avistou Durvalina, no esplendor dos seus 20 anos. Morena faceira, Durvalina tinha muitos encantos. Um deles, que conquistou Joval de vez, foi sua voz aveludada que aliada a uma sensibilidade musical rara fazia dela uma cantora em potencial. Quinze dias depois de se conhecerem, no dia 7 de agosto de 1941, eles se casaram. Com Joval, que na época já atuava como ator, Durvalina virou então a cantora Leda Rios:

"- Cantei com muita paixão um repertório bem variado, do romântico ao samba rasgado. Me vesti de baianas e cetins, e sentia no palco uma emoção grande, dessas que arrepiam a pele da gente".

Os dois trabalharam no Parque de Diversões Versailles, quando ela estava esperando seu primeiro filho: Tairone Feitosa. Depois, eles montaram a Troupe Versailles e continuaram suas andanças em plena 2ª Guerra Mundial, sobrevivendo com o que podiam adquirir no trabalho.

A vida não era fácil, mas eles estavam felizes. As viagens eram verdadeiras aventuras, pois iam desde os caminhões, barcos, troles e trens até o lombo de cavalos, a exemplo da época da Guerra, quando iam aos lugares mais estranhos para fazerem apresentações, como cemitérios, alojamentos de soldados que estavam combatendo na guerra, e tantos outros. Anos depois, Joval, assim resumiria a vida circense:

- O “raiar do Sol e o suspender da Lua” traduzem de forma primorosa a vida circense: O raiar do Sol – é a dura realidade da vida: armar e desarmar, torcer por público, esperar, esperar... O suspender da Lua é a magia do espetáculo, é a luz da ribalta, é o aplauso...

Em 1946, Joval e Leda Rios ingressaram no Circo Teatro Fekete, onde fizeram grandes amigos como Bob, Charles, Eros Arruda, Nini, Raquel e, principalmente Alberto Fekete que, de certa forma foi um mestre, lapidando-os na arte de interpretar. Segundo Joval Rios, poucos teatros no Brasil tinham a qualidade de montagem de peças teatrais como o Circo Fekete. Grandes épicos eram levados como Os Miseráveis e A Queda da Bastilha.

Deixando o Fekete, o casal montou novamente a sua Troupe – agora com o nome Joval Rios e seus Artistas. Mais maduros, montavam esquetes e pequenas inserções teatrais. Dessa Troupe surgiram nomes de destaque na música brasileira, como é o caso de Waldeck Artur Macedo – o Gordurinha – autor da música "Súplica Cearense", Bianor Batista e Nelson Roberto.

Gordurinha estava com 19 anos quando conheceu o palhaço, trapezista e ator Joval Angélico Pereira e entrou para a pequena troupe de artista mambembes de Joval, uma das personalidades mais importantes da trajetória de Gordurinha. Ele teve influência direta em sua formação artística. Entre eles surgiu uma grande amizade. Joval Rios foi como um irmão mais velho para Gordurinha, e também o grande incentivador da fase inicial de sua carreira.

Na troupe de Joval Rios, Gordurinha entrou como cantor e violonista. Mas em pouco tempo já fazia de tudo um pouco: cantava, tocava violão, apresentava espetáculos, representava. A troupe de Joval foi uma grande escola para Gordurinha. Seus professores eram artistas mambembes como Nelsom Roberto, Bianor Batista, o próprio Joval, e tantos outros artistas que iam passando.

Durante as excursões da troupe, além de cantar e tocar, Gordurinha passou a participar como ator, fazendo dupla com Zebedeu, personagem vivido por Joval Rios, de esquetes e passagens cômicas. Quando começou a fazer a dupla com Zebedeu, Gordurinha ainda era Waldeck Artur Macedo. Ainda não existia o apelido famoso com que viria marcar seu nome na história da nossa música popular. Mas como Waldeck era um nome que soava pomposo demais para fazer parte de uma dupla de humoristas, eles começaram a bolar um nome artistico, um apelido mais apropriado.

Um certo dia, ao vê-lo sem camisa durante um ataque de asma, Joval teve a ideia: Gordurinha! Disse o amigo, entre risadas, aproveitando o paradoxo entre o apelido e a figura física. Inicialmente, Waldeck não gostou da brincadeira, resistiu, mas depois concordou, incorporando definitivamente o apelido que iria acompanhá-lo pela vida inteira. A dupla Zebedeu & Gordurinha fez grande sucesso nas praças onde se apresentou.

FONTE


*Gordurinha - Coleção Gente da Bahia - Torres, Roberto. 2ª ed. 2009.

  • A Hora e A Vez de Grandes Nomes da MPB
A pesquisa crítica de Manuel Veiga apresentada em novembro/2006 a Universidade Federal da Paraíba (UFBA-João Pessoa) em cumprimento as exigências do Programa de Pós-Graduação em Música traz uma crítica inspiradora a respeito dos dicionários musicais brasileiros. Inspiradora porque ao mesmo tempo que arrebata-nos os sentidos de nossas memórias musicais, também nos entusiasma a questionar a ausência de grandes nomes da MPB nesta fonte (dicionários) que para uns se faz completa, pra outros insuficiente e a tantos outros sinaliza apenas como uma miragem sugestiva de que as atualizações farão jus ao objetivo que um dicionário musical se propõe... e corresponderão a sede que temos de informações completas sobre o passado e o presente da nossa música, referências estas necessárias para "especularmos" quanto ao seu futuro.

Em nome de familiares, amigos, fãs de Gordurinha agradeço a Manuel Veiga a relevância de sua pesquisa, a lembrança e a consideração ao valor da obra de Waldeck Artur de Macedo: o Gordurinha.

A importância dos dicionários musicais está no resgatar, classificar e registrar influências, hábitos e façanhas, um misto de fatos e curiosidades, melodias e letras... informações necessárias a contextualização das "origens" e da multifacetada contribuição de Gordurinha e de tantos outros nomes, de A a Z, na construção da história da música popular brasileira. Assim sendo, aqui indico a leitura completa da pesquisa de Manuel Veiga (vide fonte da postagem).

Dicionários musicais brasileiros e a perplexidade das províncias
by Manuel Veiga (UFBA)

Resumo: Dicionários musicais ditos “brasileiros” são uma fonte perene de desarmonias, posto que consideram o Brasil do ponto de vista exclusivo do Rio de Janeiro e de São Paulo. A perplexidade do “resto”, fruto de preconceitos e de certo grau de etnocentrismo, é considerável. Exemplos são dados de erros e omissões que vão desde equívocos pitorescos, à criação de personalidades inexistentes e multiplicação de obras por perversa cissiparidade, quando não se trata de omissões irresponsáveis e letais, ao gosto de “críticos” auto-indicados. Propõe-se uma coordenação nacional de projetos limitados regionalmente, mas desenvolvidos em profundidade, de embasamento teórico semelhante, por uma instituição como o IBICT. Palavras-chave: Lexicografia musical. Erros e omissões. Necessidade de coordenação.

Logo na introdução, Manuel Veiga explica os objetivos de sua crítica-construtiva:

"São sempre as mais ingratas, principalmente se a matéria a ser tratada envolve críticas. Ainda mais se essas críticas se dirigem a esforços admiráveis de pessoas às quais devemos respeito e temos de ser gratos. Ainda mais, se essas críticas muitas vezes se deterão em erros e omissões de maior ou menor monta, quando elogios são merecidos por dezenas de outras colaborações e inclusões de alta categoria que não serão citadas. Peço desculpas por tudo isso, porquanto se o que busco aqui nada tem de desrespeitoso a pessoas ou trabalhos (com uma única exceção oportunamente identificada), nem por isto pretende passar, por exemplo, de isenção ou neutralidade científica. Por outro lado, se críticas não forem feitas, no caso, sob a ótica das províncias, jamais alcançaremos a obra brasileira de referência que todos queremos. O fato da maioria das observações recair sobre essa ou aquela obra já é um indicador de seu mérito, fique isto bem claro".

Veiga destaca que propondo-se a Enciclopédia de Música Brasileira a ser também Popular e Folclórica, algumas são desconcertantes: Não há um verbete sobre “Samba de roda”, hoje declarado patrimônio da humanidade, nem referência significativa sobre o assunto no verbete “Samba”. O verbete “Carnaval” nada diz sobre Bahia e Pernambuco. Nada há sobre “Trios elétricos”, nem sobre “Axé music”, nem sobre “Blocos afros”, nem sobre “Capoeira”, nem sobre “Lavagem”, nem sobre “Novenas”, nem sobre personagens populares dos últimos vinte anos, como: “Luiz Caldas”, nem sobre “É o Tcham” com seus mais de 10 milhões de discos vendidos (nem o peso da indústria cultural se sobrepõe à omissão deliberada?).

Que aconteceu com “Zé Trindade (Milton da Silva Bittencourt)” que rivalizava com Oscarito no próprio Rio de Janeiro? Uma simples visita ao setor de música da Fundação Biblioteca Nacional acrescenta. 21 itens ao acervo de Zé Trindade, não incorporados ainda ao banco de partituras do Núcleo de Estudos Musicais [NEMUS].

Que fazer de “Gordurinha (Waldeck Artur de Macedo)”? “Baiano não é palhaço”, “Cabra macho”, “Boca de siri”, “Quando o divórcio chegar”, “Quero me casar”, “Torcida organizada” estão entre outras e outros aguardando vez na EMB (Enciclopédia da Música Brasileira).

E o que ocorreu com Walter Levita, ainda vivo, que gravou tantos discos nos seus tempos de sucesso? A EMB ainda veicula data de falecimento errada para “Domingos de Faria Machado”, mesmo tendo o óbito ocorrido sob condições suspeitas de envenenamento (em 1865, não sete anos mais tarde).

Passamos, infelizmente, do pitoresco para o irresponsável e o letal quando, de omissão por desconhecimento ou descuido, a Enciclopédia passa ao capricho dos críticos, ou seja, ao mundo da censura.

O texto mais expressivo sobre o assunto pertence ao antropólogo Hermano Vianna, autor do muito elogiado O Mistério do Samba e de O Mundo Funk Carioca (Zahar), entre outras obras. Condenação Silenciosa: desprezo a gêneros como axé e pagode revela o despreparo e a intolerância da mídia foi um especial publicado pela Folha de São Paulo (Domingo, 25 abril 1999). Tão importante é o texto de Vianna que faremos aqui uma longa citação, ainda assim lamentando por não podermos anexar o valioso artigo por inteiro:

A “Enciclopédia da Música Brasileira” é uma obra fundamental, essencial, dessas que não podem faltar em nenhuma biblioteca. O lançamento de sua segunda edição atualizada, no final do ano passado, deve ter sido saudado como um dos mais importantes acontecimentos editoriais do país. Tendo comprado um raro exemplar da primeira edição num sebo, sua consulta foi de enorme valia para inúmeros trabalhos que fiz desde então. Não existe outra publicação que traga tantas informações sobre tantos gêneros da música erudita, popular e folclórica produzidos no Brasil. Como tantos outros fãs dessa enciclopédia, eu esperava ansioso a sua atualização. Valeu a pena esperar.

A nova versão inclui verbetes como Chico Science & Nação Zumbi, Antônio Nóbrega e Ratos do Porão, além dos últimos feitos das carreiras de Hans Joachim Koellreuter, Ronnie Von e Moreira da Silva. Mas só nas últimas semanas é que notei que alguma coisa estava faltando. Tinha uma entrevista marcada com o É o Tchan. Abri a enciclopédia na letra E, quase automaticamente, como sempre faço nessas ocasiões. Nada. Achei que podia estar em Gerasamba. Nada. Fiquei cismado. Retomei minhas investigações em outros setores da chamada axé music. Chiclete com Banana... Nada. Netinho... Suspiro aliviado... Mas que nada! Tem um Netinho dos Incríveis e outro da Banda de Pau e Corda. Mudei de estilo, fui para o novo pagode. Raça Negra... Nada. Negritude Júnior... Nada. Art Popular... Nada.

Tentei imaginar as razões para tantas ausências. Sou otimista, sempre procuro justificativas razoáveis para os enganos alheios. São artistas muito recentes, pensei. Ora, mas tem Chico César, que só lançou o primeiro disco em 1995. Tem Pato Fu. Tem Gabriel, o Pensador. Busquei outras desculpas, mesmo pouco convincentes. Nenhuma delas me convenceu num grau aceitável. Tive que recorrer à pior hipótese: o silêncio é um julgamento de valor. Há artistas que, por mais discos que vendam, por mais amados que sejam pela maioria da população brasileira, não “existem” para os editores da “Enciclopédia da Música Brasileira”. *[meu grifo] *Manuel Veiga

FONTE
(Dicionários musicais brasileiros e a perplexidade das províncias)


  • Música de Gordurinha no Ensino de Ciências
Aqui está uma excelente maneira de reunir duas artes: música e ciências. A música em sala de aula desenvolve o pensamento crítico-reflexivo e potencializa habilidades e aptidões indispensáveis a sensibilidade sócio-cultural dos envolvidos no processo ensino-aprendizagem...

O professor assistente III do Núcleo de Docência do Departamento de Ciências Biológicas, da PUC Minas, Marcelo Diniz Monteiro de Barros apresentou um Mini-curso no II Encontro Nacional de Ensino de Biologia, na Universidade Federal de Uberlândia, em Uberlândia nos dias 12 a 15 de Agosto de 2007, com o tema "A música popular brasileira e o ensino de ciências naturais". (A SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia).

A música "Vendedor de Caranguejo", de Gordurinha está entre as músicas selecionadas para serem usadas como material didático em sala de aula e nesse caso específico na disciplina de Ciências.

Pra se ter ideia da riqueza desse material basta conhecer as demais músicas que também inspiraram o planejamento destas aulas, tais como: Ciranda da bailarina de Edu Lobo e Chico Buarque; Coração de Estudante, de Wagner Tiso e Milton Nascimento; Passaredo, de Francis Hime e Chico Buarque, Passaredo, de Francis Hime e Chico Buarque; Solar, de Milton Nascimento e Fernando Brant; Querelas do Brasil, de Maurício Tapajós e Aldir Blanc; Cigarra de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos; Sobradinho, de Sá e Guarabyra; O Relógio, de Vinicius de Moraes e Paulo Soledade; Lindo Balão Azul, de Guilherme Arantes; Rosa de Hiroshima, de Vinícius de Moraes e Gérson Conrad; O cio da terra, de Milton Nascimento e Chico Buarque; Canção do sal, de Milton Nascimento; O mundo é um moinho, de Cartola; Andorinhas, de Marcus Viana; Pombo Correio, de Moraes Moreira / Dodo / Osmar; O meu guri, de Chico Buarque; Asa Branca, de Humberto Teixeira / Luiz Gonzaga; Eu e água, de Caetano Veloso; Iemanjá Rainha do Mar, de Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro; Beira-mar de Roberto Mendes e Capinan; Francisco, Francisco, de Roberto Mendes / Capinan; Amor à natureza, de Paulinho da Viola; Pois é pra quê?, de Sidney Miller, Amor e Sexo, de Rita Lee / Roberto de Carvalho / Arnaldo Jabor; O xote das meninas, de Zé Dantas / Luiz Gonzaga; Façamos (vamos amar), de Chico Buarque / Elza Soares; Lamento sertanejo, de Gilberto Gil / Dominguinhos; Linda juventude, de Flávio Venturini / Márcio Borges; O ouro e a madeira, de Ederaldo Gentil; A arca de Noé, de Vinícius de Moraes / Toquinho; Depende de Nós, de Ivan Lins / Vitor Martins.

Vendedor de caranguejo
Composição: Waldeck Artur de Macêdo (Gordurinha)


Caranguejo Uçá
Olha o gordo guaiamum
quem quiser comprar um
cada corda de dez
eu dou mais um

Caranguejo Uçá
Caranguejo Uçá
Apanho ele na lama
E trago no meu caçuá

Eu perdi a mocidade
Com os pés sujos de lama
Eu fiquei analfabeto
Mas meus filho criou fama

Pelo gosto dos menino
Pelo gosto da mulher
Eu já ia descansar
Não sujava mais os pé

Os bichinho tão criado
Satisfiz o meu desejo
Eu podia descansar
Mas continuo vendendo caranguejo

Caranguejo Uçá
Caranguejo Uçá
Apanho ele na lama
E trago no meu caçuá

FONTE


O "Programa COMPOSITORES DO BRASIL", do Prof. José Nilton (Zé Nilton) no dia 25/02/2010, apresentou vida e obra de Gordurinha, excelente compositor brasileiro, que viveu as mais diferentes artes – cinema, teatro, música, locução radiofônica em Salvador e no centro do mundo – o Rio de Janeiro, de sua época. A pesquisa postada no site Chapada do Araripe foi atração no programa: Compositores do Brasil, da Rádio Educadora do Cariri... e aqui no Blog apresento a postagem na íntegra.

GORDURINHA


“Meu Deus

Por que é que nessa terra
Pedem paz e fazem guerra
E fazem guerra pela paz
Meu Deus
Por que é que os homens agem
Sempre em nome da coragem
A apunha-las só por trás
A fortuna correndo atrás
De quem já tem dinheiro
E o faminto se foge da fome
Ela vai atrás
Óh, meu Deus o sertão está seco
Só chove na praia
O oceano está cheio de água
Não precisa mais
Muita gente com a reza na boca
E o ódio no peito
O cristão fazendo mal feito
Com a Bíblia na mão
A ganância na terra entre os homens
Gerando conflito
E a ciência a serviço do mal
E da destruição”…

(Gordurinha: “Prece para os homens sem Deus”)

O nome Waldeck Artur de Macedo tem tudo para representar um sujeito muito sério, compenetrado e porque não dizer, sisudo e arredio. Contudo, a figura nomeada por tão pomposa graça não é nada disto. Começou a vida artística, lá pelos anos de 1938, em Salvador, como comediante e humorista, por tratar-se de uma pessoa alegre, brincalhona e de bem com a vida.

Gordurinha, que era magro e esbelto, logo ganhou notoriedade pelo jeito esculachado de ser, pela sua fina verve humorística e pelo sarcasmo que iria ser disseminado em suas letras anos mais tarde. Disse em sua música que “cabeça grande é sinal de inteligência”, e com este dom (que independe do tamanho da caixa craniana), antecipou muitos movimentos musicais.

Na letra de “Chicletes com banana”, onde declara, à guisa de Adriano Suassuna, seu desprezo pela presença americana em nossa cultura, lembra a sacada tropicalista, de fraseado antropofágico, quando sugere na letra:
“Só boto bebop no meu samba,/Quando o tio Sam pegar no tamborim/Quando ele pegar no pandeiro e no zabumba/Quando ele entender que o samba não é rumba”/…

Já na música “O vendedor de caranguejo” fala da sobrevivência no mundo do mangue, da lama, e na criação de um tipo de humanidade, o vendedor de caranguejo , preso à rotinização que acaba por configurar um tipo de sub cultura, mais tarde tão bem expressado pelo movimento mangue-beat, de Chico Science. Foi um defensor da música regional, e muito criticou os preconceitos e os estereótipos com que o sudestinos marcam os nordestinos.

Escreveu na capa do LP do Trio Nordestino, em 1972, um desabafo contra essa de que somos uns paus de arara. Disse que “Pau de Arara é a vovozinha”, música que abre um dos melhores discos dos gloriosos, Lindú, Cobrinha e Coroné.

Gozou também com a bossa nova, ridicularizando em suas rimas pobres e pouca ou nenhuma proposta. Gordurinha tinha uma predileção pelo Ceará. Cantou a secas e as enchentes cearenses, pediu clemência ao Padre Cícero, exaltou a Praça do Ferreira.

A pesquisa foi atração no programa: Compositores do Brasil, a partir das 14 horas, na Rádio Educadora do Cariri. Vamos falar de Gordurinha como uma das expressões da música nordestina cantada com a força e a graça da musicalidade baiana, de onde veio este excelente compositor brasileiro, que viveu as mais diferentes artes – cinema, teatro, música, locução radiofônica em Salvador e no centro do mundo – o Rio de Janeiro, de sua época. Dentre as músicas de seu vasto cancioneiro, selecionamos o seguinte roteiro.

Vamos ouvir e falar de:

Tenente Bezerra, de Gordurinha com Gordurinha, gravação continental de 1959.

Uma prece para homens sem Deus, de Gordurinha, com Ary Lobo, de 1969;
Trem da Central, de Gordurinha e Mary Monteiro, com Marinês e sua gente, gravação da RCA Victor, de 1960.
Bossa quase nova, de Gordurinha, com Gordurinha, gravação original pela continental de 1961.
De trás pra frente, de Gordurinha, com Gordurinha, 1962;
Baianada, de Gordurinha, com Gordurinha, gravação da continental, de 1959.
Baiano burro nasce morto, de Gordurinha, com Gordurinha, do LP. Gordurinha tá na praça, gravação da Continental de 1959;
Pedido ao padre cicero, de Gordurinha, com Gordurinha, grvação original de 1959.
Vendedor de caranguejo, de Gorduinha, com Gordurinha, gravada pela Continental em 1958;
Súplica cearense, de Gordurinha e Netinho, com Luiz Gonzaga, gravação original da continental de 1960;
Mambo da Cantareira, de Gordurinha, com Gordurinha, gravação da continental de 1960;
Pau de arara é a vovozinha, de Gordurinha, com Trio Nordestino,1972.
Chiclete com banana, de Gordurinha e Almira Castilho, com Jackson do Pandeiro, gravação original pela continental, de 1959.



Informações:

Programa Compositores do Brasil
Pesquisa, produção e apresentação de Zé Nilton
Sempre às quintas-feiras, às 14 horas
Rádio Educadora do Cariri – 1020 kz.
Apoio: CCBN.


FONTE

*Chapada do Araripe - compositores do Brasil - 2010- Por: Prof. José Niltonhttp://www.crato.org/chapadadoararipe/2010/02/25/programa-compositores-do-brasil-por-prof-jose-nilton/

  • SÚPLICA CEARENSE É CITADA EM TRABALHO ACADÊMICO


O artigo "A natureza em Os Sertões" de José Leonardo Ribeiro Nascimento apresentado a disciplina de Ética e Meio Ambiente, do Prodema (Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente) em 2010 - fala sobre a maior seca já documentada no nordeste brasileiro e cita a música "Súplica Cearense", de Gordurinha e Nelinho, como referência da tragédia climática que assola aquela terra.

Em 1915 e nos anos seguintes, muitas famílias deixaram seus lares, rumando para o sul do Brasil. [...] Treze anos antes da grande seca, em 1902, Euclides da Cunha escreveu “Os Sertões – Campanha de Canudos”, baseado nas suas experiências como correspondente na campanha para o jornal A Província de São Paulo.

Ultrapassando as fronteiras da classificação como peça literária, constituindo-se obra de interesse da Sociologia, Geografia, História e Antropologia, “Os Sertões” propunha denunciar o massacre de Canudos, que foi, para Euclides da Cunha (2010, p. 20), “na significação integral da palavra, um crime.” E o autor conseguiu. Seu livro chamou a atenção para os problemas do sertão nordestino, ou do Norte, como se falava na época, e é considerado uma das maiores obras da literatura nacional.

[...] De forma antinômica, não tarda o autor a dizer que “o sertão é um paraíso” (ibidem, p. 70), bastando, tão-somente que a chuva caia sobre a vilã terra e esconda o vilão sol. Reaparecem os animais, ressurge a vida, ganham forma os rios, estes ao sabor do relevo incerto, o que gera inundações e destruição. O sertão não é um lugar de paz. Ou se sofre por falta da chuva, ou se sofre por causa dela.

Atribuindo personalidade à natureza – e uma personalidade cruel – Euclides afirma, categoricamente, que ela “compraz-se em um jogo de antíteses” (ibidem, p.73). Neste ponto é inevitável citar a música “Súplica Cearense”, do baiano Waldeck Artur de Macedo, o Gordurinha, na qual um nordestino reza para que a chuva pare, após um período longo de estiagem:

Súplica Cearense


Oh! Deus perdoe este pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair sem parar

Oh! Deus será que o senhor se zangou
E só por isso o sol arretirou
Fazendo cair toda a chuva que há

Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedi pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão [...]

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
  • CUNHA, Euclides da. Os Sertões: volume I / Euclides da Cunha; estabelecimento de texto Walnice Nogueira Galvão. São Paulo: Abril, 2010. 336p.
  • QUEIROZ, Rachel de. O quinze. São Paulo: Siciliano, 1993.
  • MÚSICA POPULAR. Gordurinha (Waldeck Artur de Macedo). Disponível em: http://www.musicapopular.org/gordurinha
FONTE

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Cláudio Paladini


Claudio Paladini além de participar da produção de discos e trilhas, como: o arranjo em 2004 da música-tema do seriado "Carga Pesada"; “Eu e o sabiá”, parte da trilha sonora da novela “Esperança” (2002), da Rede Globo; "Frete", de Chitãozinho e Xororó; e viajar com a dupla pelos quatros cantos do país desde 2000 (sendo apresentado pelos sertanejos como o "mineirinho de Uberlândia"); segue também carreira solo e está em seu terceiro álbum. Seu trabalho é mais POP e MPB. Vale a pena ouvir sua música e conhecer um pouco mais sobre o trabalho do artista em seu site http://www.claudiopaladini.com/


Aos 5 anos, Claudio começou a aprender, sozinho, a tocar piano; e desenvolveu toda uma partitura própria, com símbolos significando notas, para estudar escondido do pai. Ele nunca foi a uma escola de música, mas seu dom denunciava: Paladini seria sim um profissional.

"Nada mais justo para um músico excepcional, que desde a época dos bares em Uberlândia surpreendia pela qualidade. Ele estava acima de qualquer músico que vinha tocar aqui. Não é à toa que Paladini é praticamente um maestro nos palcos do Chitãozinho e Xororó", aponta Teto Bononi, (ex-produtor do London Pub).

Foi na década de 80, com a primeira banda, a Espaço Aberto — que hoje é a Tâmisa — que a brincadeira de Claudio de dedilhar o velho piano de casa começou a tomar ares mais sérios. Na garagem foram os primeiros ensaios, mas a banda tocou em vários palcos da cidade. E quando a onda do rock uberlandense não vingou, lá pelo meio da década de 90, teve a coragem de mudar totalmente o estilo para aprender a acompanhar músicos. Os irmãos Denizard e Dillah foram os primeiros. Osvaldo Montenegro e Paulo Miklos vieram depois, "e ficaram impressionados com a excelência de sua música", lembra Teto Bononi.

Em 23 de outubro de 1998, Claudio Paladini lançou o primeiro CD, todo instrumental, no Rondon Pacheco. Disco que seria fundamental anos depois. E que o gabaritou a trabalhar com o também uberlandense Luis Cláudio, que formava dupla com Giuliano. Assim começou no sertanejo e a ter contato com músicos deste estilo. Fez arranjos para Bruno e Marrone e Matogrosso e Mathias e caiu nas graças dos músicos de Chitãozinho e Xororó.



A dupla gostou da descrição do músico novo que surgia no mercado e quis conversar com a promessa. A reunião foi dia 13 de março de 2000. Dois dias depois Paladini já subia no palco como o tecladista da banda. "Foi em Francisco Beltrão, no Paraná. Uma emoção tremenda, subir ao palco com 25 mil pessoas na platéia", lembra. Como não se emocionar com um público tão marcante e apaixonado. De tecladista, virou arranjador, back vocal e até compositor. É de Claudio Paladini "Passando o tempo" e "Um sonho de amor", do disco "Inseparáveis", de 2001. Ficou admirado com a energia do público dos sertanejos, com a paixão pela dupla que, para Paladini, tem o melhor repertório do estilo.


"E como são humildes. Tenho menos anos de idade que eles de carreira, mas mesmo assim ouvem minhas idéias e fazem de tudo para que o show seja o melhor possível. Nunca planejei tocar com Chitãozinho e Xororó, mas tudo fluiu para isso acontecer e não poderia estar mais feliz. Porque é um imenso prazer contribuir para que as pessoas tenham o melhor momento possível com a dupla que já virou um clássico do sertanejo do País", finaliza.


"Vocês, músicos, são tão importantes quanto nós. Sem vocês, não haveria show." A frase de Chitãozinho demonstra bem como é a dupla sertaneja que há 40 anos encanta os brasileiros. Se há artistas que mal acompanham as gravações de um disco, a dupla faz questão de participar de cada processo de produção, desde a escolha de músicas, o arranjo, as gravações. E adoram idéias novas e interessantes.


Talvez por isso Cláudio Paladini tenha se dado tão certo na banda. Seu dom musical e ouvido refinado permite-o criar com naturalidade e qualidade. "Eles são extremamente humanos e profissionais. Perguntam minha opinião em cada passo de produção e gostam desta interferência, dos músicos mostrarem seu talento no palco", diz Paladini.

E os palcos são uma alegria a mais para um músico. Mesmo para os que acompanham outros artistas. Primeiro pelas viagens. Paladini diz que, todos os anos, faz uma média de 70 shows. Já teve a possibilidade de conhecer inúmeras cidades deste País, "e de tirar umas 2 mil fotos. Dá até para fazer uma exposição", brinca. No seu mapa do Brasil, há um alfinete em cada canto, em todas as regiões.

"Planejei focar minha vida no profissional, mas recebi o presente de viajar pelo país e ainda receber o carinho de um público que até me pede autógrafos. Logo digo: o artista é a dupla, sou apenas um músico. Mas eles me pedem mesmo assim. Não vou mentir, é muito bom ser reconhecido pelo talento", conclui.

Não bastasse entrar para a banda de uma das maiores duplas sertanejas do país, Cláudio Paladini sempre se sente inquietado a fazer mais. Em 2008, Claudio Paladini lançou o site claudiopaladini com informações sobre sua carreira, discografia, todas as músicas do primeiro disco para download e fotos inclusive com Chitão e Xororó.

Agora quer experimentar um pouco da composição. Com músicas que estavam guardadas há algum tempo, Paladini resolveu arranjar, tocar, cantar, produzir e distribuir um segundo disco. "Eu", uma produção independente. Quem ficou curioso para ouvir o som, pode escutar alguns trechos pelo site de Paladini que foi totalmente repaginado em setembro de 2010.

CPaladini- Twitter




Gosto de música, de som. Sempre gostei. A música existe para fazer a gente se emocionar, sorrir, chorar, alcançar as nuvens com os pés no chão. Talvez por isso eu ficasse tão deslumbrado ao ver outros músicos tocando em shows, bailes ou na TV. A música mexia comigo, esquentava meu sangue, provocava arrepios...

Final da década de 70. Havia, em casa, um piano de som doce e aveludado. Por volta dos cinco anos comecei a brincar com ele, mesmo sem saber o quê exatamente eu tocava. Meus pés sequer alcançavam o chão. O som me atraía, as dissonâncias e consonâncias, os graves e agudos. Ali comecei a perceber o que me agradava ou não. Tocava usando apenas os polegares voltados para baixo, percutindo as teclas com uma intensidade da qual jamais viria a me dissociar. E assim, com os polegares e a ajuda de meu irmão, que tocou repetidamente a tecla sol, fiz o que chamo de minha primeira composição. Nada elaborado ou genial, apenas uma criança fazendo um som que lhe agradava. Quer ouvir? Pala, Opus 1

Nessa época minha mãe ouvia Elton John, Luiz Gonzaga, ABBA, Roberto Carlos e Julio Iglesias. Meu pai ouvia Milionário e José Rico, Clara Nunes, Trio Parada Dura e uma dupla, então novidade, Chitãozinho e Xororó. Eu gostava muito de tudo aquilo. Meu pai sempre comprava muitos discos, de todos os estilos, o que fez muito bem para mim. Lembro-me de ouvir o “Bolero”, de Ravel, mal saber do que se tratava, mas sentir os pêlos dos braços completamente arrepiados.

Até hoje, esse arrepio nos braços é o que me diz se gosto de uma canção, se ela me faz bem ou emociona. Não importam o estilo, técnica ou forma como a música é produzida, o que importa é que existem melodias que tocam nossos corações, trazem lembranças e criam aspirações. Não é preciso ser músico para saber, a boa música é aquela que faz bem a você, PONTO.

Passei os anos 80 desenvolvendo meus gostos, ouvindo muita coisa e me entendendo com o piano.Tentei fazer aulas, mas não deu muito certo. Sempre toquei de ouvido, sempre aprendi a tocar as músicas das quais gostava usando a audição. Não entendia o porquê de estudar a teoria do que eu já sabia fazer. Fui preguiçoso, assumo, mas não queria trocar as sensações dos sons pela frieza da racionalidade teórica.

Decidi ser autodidata, buscar a informação técnica quando a prática estivesse prejudicada, encontrando obstáculos. Em 1987 conheci minha primeira banda numa festa de aniversário.Rock. Perguntei se poderia aparecer em um ensaio e, na semana seguinte, lá estava eu.Banda Espaço Aberto (mais tarde, Banda Tâmisa). A partir de então ingressei na escola mais importante de minha vida, a escola da troca de conhecimentos, ensaios, composições, shows e gravações. É impressionante como podemos aprender com outros músicos!

Em 1989 fui convidado a integrar uma banda de baile chamada Magia Tropical.Ali ampliei enormemente o meu universo musical, tocando de Blitz a Al Jarreau, de César Camargo Mariano a Supertramp. Conheci a música baiana, a música instrumental, a lambada e o samba. Foi um dos momentos mais enriquecedores da minha vida e devo muitíssimo a esses músicos maravilhosos com quem tive a oportunidade de tocar!

Fui um bom aluno. Minha vida escolar transcorreu sem maiores problemas, exceto por uma fase de rebeldia ao final do primeiro grau, mas sem conseqüências no meu desempenho ou notas. Meus pais sempre receberam o boletim que esperavam. Na escola, comecei a fazer algumas apresentações musicais em intervalos de aula ou em eventos, tocando e cantando. O ano era 1990.

Percebi a oportunidade de iniciar um trabalho com o que eu mais gostava, com música. Em 1991 meus avós Ivo e Zulmira patrocinaram a gravação, em estúdio, de algumas canções que mostravam minhas habilidades e gostos. Levei esse material aos bares de Uberlândia, mostrei meu trabalho e, assim, iniciei a minha “carreira solo”, tocando e cantando na noite, para pessoas de 15 a 60 anos. Era delicioso tocar Pink Floyd, Barão Vermelho e Titãs para a galera jovem na sexta-feira e, sábado, tocar Phil Collins, Elton John e Supertramp para os adultos.

Meu pai, que jamais aceitaria a música tomando o lugar dos estudos foi, ironicamente, um dos meus maiores incentivadores, dando o meu primeiro teclado profissional e falando, com orgulho, do filho que tocava piano. Ainda assim, em 1992, entrei para a faculdade de ciências econômicas, dei um ano de aulas de redação para um colégio de segundo grau... e continuei tocando em bares e eventos, de coquetéis de inauguração a festas de faculdade, de Roberto Carlos a Van Hallen.

A diversidade de estilos que eu tocava fez com que, a partir de 1994, eu fosse chamado a realizar diversos trabalhos com grupos de rock, cantores de MPB e música regional. Acompanhei, em apresentações especiais, nomes da música brasileira ,como: Oswaldo Montenegro e Paulo Miklos, momentos marcantes e peculiares.

Acompanhei o Coro Municipal de Uberlândia, sob a regência da criativa e batalhadora Rejane Paiva, em apresentações sempre alegres e inusitadas, numa jornada prazerosa e inesquecível!Integrei o Grupo Amacordes, unindo o erudito e a MPB, com músicos queridos como Maria Célia Vieira, Sérgio Melazzo, Flávio Arciole, Poliana Alves e Cícero Mota.Fizemos saraus e eventos extremamente elegantes e refinados (bem diferentes das noites tocando rock).

A música ganhou uma dimensão em minha vida que prejudicou a faculdade. Voltava para casa às quatro da manhã (com os teclados às costas) e, às seis, me levantava e ia para a aula.Muitas vezes a carteira da sala de aula foi minha cama e, a pilha de livros, meu travesseiro. Da faculdade eu ia ao shopping, tocar piano no horário de almoço. De lá para casa, compor alguma trilha sonora ou "jingle", sob encomenda de estúdios publicitários onde, ao entardecer, finalizava o material. Quer ouvir alguns exemplos desse trabalho? Visite a seção "SOUNDTRACKS".


A essa altura, trabalhando e ganhando o meu próprio dinheiro, não via mais sentido em continuar a faculdade. Eu não seria economista, já era músico! Conversei com meus pais. Mãe, que é sempre mãe, apoiou o que me fizesse feliz. Pai, que é sempre pai, não gostou, esperneou, criticou (provavelmente o que eu faria, fosse meu o filho). Mas não há argumento que convença uma alma a negar-se à busca pela felicidade.

Assim, buscando a minha felicidade a cada dia, a cada projeto, cheguei ao ano de 1998. Percebi que já havia feito bastante coisa e, com um pequeno estúdio montado em casa, ficou fácil registrar cada idéia que viesse à mente. Da junção de ideias instrumentais e trilhas publicitárias que me agradavam muito surgiu o meu primeiro Cd, “PALA”. 19 faixas entre trilhas, vinhetas e temas, compiladas dos meus dois anos anteriores de trabalho e criação.

Quer ouvir as músicas? Em "DISCOGRAFIA" você encontra as 19 faixas em Mp3, prontas para baixar. Há também a capa e contracapa para impressão. Baixe as músicas, ouça em seu player predileto ou grave a mídia, imprima as capas e tenha a sua cópia deste Cd, já fora de produção.

Lancei o Cd em um show memorável no Teatro Rondon Pacheco, de Uberlândia, em 23/10/1998, acompanhado de grandes músicos e amigos: Bulaxa (bateria), Alex Mororó (percussão), Sérgio Melazzo (contrabaixo) e Marcus Melazzo (guitarra), além de contar com as participações muito especiais de Maurício Winckler (guitarra) e da cantora Cláudia Luz. Ouça músicas gravadas ao vivo nesse dia na seção "SOUNDTRACKS".

O Cd de 1998 alavancou minha carreira. Era um portfólio das minhas capacidades como pianista, tecladista, arranjador e compositor. Chamei a atenção de algumas pessoas, fui convidado para alguns trabalhos arranjando, tocando e produzindo. Compositores encomendavam arranjos para suas criações. Entre eles, Bruno (da dupla Bruno e Marrone) e Luis Cláudio, da dupla Luis Cláudio & Giuliano. Este último me convidou para integrar sua banda. Foi meu primeiro contato mais profundo com a música sertaneja, até então território inexplorado por mim.

Preparei o show, as programações e "samples", fiz os teclados. Agradou-me o ambiente de profissionalismo e cuidado com o trabalho, dos ensaios minuciosos aos espetáculos bem organizados. Agradou-me o nível de comprometimento de cada músico, técnico e cantor.

Um dos artistas realizava produções de discos em São Paulo, e logo requisitou meu trabalho por lá. Levava meu equipamento, trabalhava e voltava para Uberlândia. Participei do segundo Cd da dupla, gravei um arranjo para o Cd “Pele de maçã”, da dupla Matogrosso e Mathias e participei de discos de duplas regionais.

Em algumas gravações trabalhei junto a dois músicos, então integrantes da banda de Chitãozinho & Xororó. Eu continuava distribuindo meu primeiro Cd e acredito ter agradado pois, em 2000, recebi o honroso e emocionante convite para fazer parte da banda que acompanha Chitãozinho & Xororó!

O trabalho era o mesmo que eu realizava na outra dupla, arranjos, programação e execução de piano e teclados em shows e discos. A diferença era que, agora, eu estava com a maior dupla da música sertaneja brasileira, o melhor repertório do gênero e num trabalho de alcance internacional. As exigências eram maiores, assim como o grau de profissionalismo e dedicação pessoal. Foi um grande salto em minha carreira! Confira as fotos em "ARQUIVOS".

Com a vida profundamente alterada, morando em outra cidade e com dedicação exclusiva à dupla, passei o início do milênio completamente absorvido pelo trabalho, do estúdio à estrada, do ônibus ao avião, de uma cidade à outra. Conheci lugares, pessoas, fiz novos colegas, amigos e contatos. A efervescência do ambiente profissional logo teria conseqüências em minha mente, em minhas idéias. A quantidade de informações gerou um novo impulso criativo e compor foi uma derivação dessa nova vida.

Fiz músicas para Chitãozinho e Xororó (Cd “Inseparáveis” -2001), Sandy & Júnior (Cd “Identidade” -2003, longa metragem “Acquaria” -2004), grupo Tradição (Cd “Bendito Seja” -2003), a cantora Aeileen (Cd homônimo-2003), a dupla Cleber e Fernando (Cd “Esse amor” -2006) e várias outras obras, ainda inéditas.


Participei da produção de discos e trilhas, como o arranjo, em 2004, da música tema do seriado “Carga Pesada”, da Rede Globo de Televisão e, também, da música “Eu e o sabiá”, parte da trilha sonora da novela “Esperança” (2002), da mesma emissora. Algo acontecia comigo. Sentia saudades de cantar, de tocar estilos que deixei de lado e de criar obras que expressassem a minha personalidade. Tive novas idéias, fiz temas e melodias, aproveitei meu tempo livre investindo nessas ideias.

Após mais de 30 anos de sons, ideias e muita realização, cheguei ao meu segundo Cd, “Eu”, fruto das minhas viagens e brincadeiras musicais. Fui o compositor, o músico, o arranjador, o cantor, fiz o que quis sem nenhuma pretensão ou ambição, apenas a vontade de fazer música e ter prazer, muito prazer com ela.

Em "DISCOGRAFIA" você tem acesso às músicas e letras.

A vida continua, além de criar minhas obras fiz questão de manter os trabalhos com outros artistas, isso amplia a minha musicalidade e sempre me encheu de orgulho. Assim foi com a banda de rock “Fresno”, num especial da MTV (2008); com “Chitãozinho e Xororó”, na conquista de mais um Grammy Latino (!) e com o grupo de música latina “Los Castillos”, na gravação do DVD que celebrou seus 30 anos.





São momentos como esses que dão sentido e alegria à minha carreira. E por falar em momento, aqui vai uma amostra do meu terceiro álbum...

Momento
1-Momento (3:42)
(Cláudio Paladini)
Sony/ATV music publishing

Não há nada poderoso como o Sol,
nada majestoso como o mar.
E por isso eu não tenho a pretensão
de possuir aquilo que não vou levar.


Nessa vida o momento é o que se tem,
um carinho, um sorriso, um olhar...
assim, o que me resta é tão somente me entregar
aos desejos que vêm do meu coração.


Por isso, meu amigo, quando vir um pôr do Sol,
dê a si um tempo pra curtir...
E, em cada praia, vendo as ondas sobre o mar,
respire fundo e comece a sorrir,
esse momento nunca vai voltar...

Seja muito bem vindo, curta a nossa música e DIVIRTA-SE!!!


     

FONTE

Correio de Uberlandia

Claudio Paladini

Imagem